So Don't Go Away...

Ele apoia os braços sob o parapeito,
Sente o vento gelado traçar pequenos cortes em seu rosto,
Fecha devagar seus olhos,
E deixa que o vento puxe gentilmente seus cabelos.
A luz da escuridão, que ele tanto gosta,
Segue densa e distante,
Profunda e destoante,
Gentil e implicante,
Perigosa e manipulante, do jeito que ele gosta.
Ele sai à procura da morte gradativa,
Não a que ele carrega dentro do peito,
Mas a que ele pode por fogo.
Oh, como quisera por fogo também na morte inevitável,
Que carrega dentro de seu peito, como uma constante.
A garrafa de prata com conteúdo puro malte,
Traz o gole que desce queimando,
E revive a lembrança única do seu esmalte,
Antes que a memória me falte.
O coração queima feito brasa,
Ele já não fuma mais o cigarro, e sim a si próprio.
Ele já não toma mais o whisky, e sim o que sobrou de suas lágrimas,
Pois o deslumbre de um novo ser ele teve,
Um novo motivo pra viver, ele disse,
A paixão ardendo incólume,
O céu com brilho insólito,
Jazia sua vontade escorrida pela garganta junto com o último gole de whisky,
Jazia seu não-querer sofrido a metamorfose de cinzas pela brasa do amor,
Como se fosse o seu último cigarro,
Jazia impotente, diante de todas as suas emoções,
E logo esquecera, de seus vícios e adorações,
Ele estava à sua espera, e com ela você terminou,
Ele queria sonhar de novo, e isso você deixou,
Regozija-se o idiota solitário,
Um novo objeto de desejo e interesse encontrou,
Num simples olho-no-olho,
Que sua varanda proporcionou.
Sim, a figura para ele apareceu,
E no movimento do olho piscar,
Ela desapareceu.
Que figura era essa nunca dantes vista?
Que figura era essa que se apresentou sob meu domínio?
Essa incrível figura que me desperta insólitas sensações e fascínio.
Anjo bom, não se vá,
Aguardo inquieto e ansioso,
O seu definitivo retornar.

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