Autumn Tears

O vento vem leve,
A brisa vem em temperatura agradável.
É tempo de respirar,
Tempo de sentar,
Tragar o cigarro aceso e ouvir o crepitar quase inaudível.

É tempo de ouvir o silêncio,
É tempo de se ouvir.
Quadros pintados na velocidade da luz,
Congelam momentos,
Expressões, confusões, sensações.

A respiração é ofegante,
Suspiro e brisa se juntam e voam. E voam.
O calor do corpo,
Se esvai com o frio da brisa,
Que meu antigo calor chegue em quem precisa.

É tempo de descascar,
Trocar de pele,
Observar as congruências do novo momento,
É tempo de mudar de pensamento.

As árvores choram um pranto solene,
Folha por folha cai,
Para folha por folha crescer e viver novamente.
Para elas, é época de renovação.
E para nós, por que não?

Scarring Papers With Tears & Ink

Provavelmente meu objetivo não será cumprido.
Pode ser cumprido parcialmente, talvez.


É.

Acho que talvez metade sim.


Hoje sem rimas, sem risos, sem aquela indecência artística de um morto sonhador. Hoje só o ácido, só os cortes, só as vísceras... só o âmago.

O coração é uma coisa engraçada. Obviamente que de uma forma totalmente sádica. Ele sente gosto em mover nossas ações e rir dos resultados. Tento ser o máximo possível otimista em relação à isso tudo. Ele teima em guerrear contra a razão pra mostrar que estou errado, mas sou tão teimoso quanto ele e não vou deixá-lo vencer.

Certeza. Eu tinha, já não tinha tanto, não tenho, tenho. Tenho? Não sei... Não, não tenho. Melhor, tenho. Ou não?

Que importa? O sadismo desse filho da puta é tamanho que ele joga com tudo que tem dentro de mim, de um lado pro outro. Chega ao ponto onde o coração toma vida própria, com uma personalidade tão vil e sádica, que causa estranhamento. Como aquilo pode sair de dentro de mim?

Por que, depositar um rio de expectativas, num terreno totalmente árido, sabendo que de lá não sairá frutos, não sairá vida, não sairá nem sequer uma centelha de esperança? E sabendo disso tudo, continuar com a mesma atitude, vendo o filme se repetir diante dos meus olhos, apático, incapaz de mudar o que está acontecendo. Ou... sim? Ou eu também sou sádico? Ou sou ingênuo? Ou burro?

Que importa?

Sua aridez é fel, é navalha, e corta fundo. Suas palavras, tiros, sua indiferença, corrói como ácido até fazer agonizar. Faz do meu interior seu particular vai e vem, (in)conscientemente. Pra quê?

Por que o sorriso, o afago, depois o corte, depois o estrago? Por que plantar a semente e no mais breve germinar pisar em cima?

Porque está cansada de ser pisada? E quando procuro justamente oferecer ao contrário, sou pisado?

Já lhe ocorreu que também estou cansado de ser pisado? Não. Sua insensibilidade inocente não permite grandes reflexões. Seu mundo limitado de futilidade e ilusões te prendem nessa rede de contradições.

Justo eu, que critico tanto seu esteriótipo, me vejo sendo sugado por ele... Deprimente.

E quem sou eu para julgar? Aquele que você julgou, negou, e matou.

Se a esperança é o embrião, e você está constantemente pisando em cima dela, como acreditar no que pode brotar disso?

Ódio flui ao escrever das palavras. A caneta já rasga o papel, enquanto os lábios se contorcem, os dentes rangem, as lágrimas espirram, os suspiros machucam o pulmão bronzeado.

O isqueiro ruge de segundo em segundo. O que me tornei? Fui consumido pelos meus próprios erros, consumido pelos meus próprios desejos. Esmaeci em minhas convicções, me esvaneci junto com minhas certezas...

E pra quê? E por quê?                                 E por quem? Por você ou por mim?