Cada vez fica mais claro para mim,
Que a caneta deve escrever de volta,
Não desdizendo o que foi dito,
Mas redizendo o que foi feito.
Menos setas apontadas,
Menos juízos de valor,
Mais adjetivos positivos,
Mais frases sobre o amor.
Não que esse mistério jamais resolvido me traga algum resultado,
Ante a face da tristeza,
O mistério muitas vezes é a alegria em si,
Tratar de amor, ou é ser feliz, ou é querer estar feliz.
Mas o tempo,
Esse senhor que nos quer impor sua vontade,
Inimigo dos amantes secretos,
Dos inseguros,
Hoje em dia, dos românticos perdidos no tempo.
E eu?
Escritor, pecador,
Condenado pela moral construída de forma histórico-social,
Sento no chão e vejo as pessoas passarem com tanta pressa,
Com tanto dissabor da vida,
Escravos de uma tela e um toque, e só depois
Escravos da sua própria dor.
Talvez o meu pecado original,
Seja não conhecer o limiar da libido e do amor.
Tantos se's, tantos não's,
Andar em linha reta sem fazer curvas pode te fazer chegar primeiro,
Mas o amor está nas curvas.
Uma Pequena Representação Vermelha.
No princípio, era O Homem.
O Homem sempre andava pra frente, ou achava que andava pra frente, sem nunca olhar pros lados, ou pra trás. Passava sempre por muitos lugares, por muitas pessoas, muitas histórias e bifurcações. Quando o dia chegou, o homem parou ao pé de uma montanha, tão larga que ele não conseguia ver onde ela terminava, e tão alta que seu cume era oculto pela densa neblina que circulava a pele de neve da montanha. Ele ouvira sobre essa montanha. Era a Montanha da Verdade, assim chamada pois era sabido pelo Homem e todas as coisas, que no cume da Montanha, havia a verdade sobre todas as coisas.
O Homem parado ao pé da montanha questionava-se sobre essa verdade de todas as coisas. Na verdade, toda a sua jornada se resumia à encontrá-la. O Homem jurava que sua jornada era infinita, mas ver a montanha ali, em frente ao seu nariz, o fez retesar-se. E se a verdade sobre todas as coisas simplesmente não existir? E se a jornada toda tiver sido em vão? E se ela existisse, mas não estivesse ao alcance d’O Homem? Os homens que a buscaram, já a encontraram mas não quiseram partilhar dela, ou simplesmente morreram no caminho? Qual seria o sacrifício exigido pela subida? Sobreviveria O Homem a tanto? Seria a verdade de todas as coisas, também a origem de todas as coisas, ou muito mais que apenas isso?
Eram tantos “e se”, que a inquietação já não provinha mais das questões, mas sim do fato de estar inquieto. Deu então seu primeiro passo depois de uma longa pausa e decidiu conscientemente, que ele criaria a identidade de sua partida, tão artificial como qualquer criação humana. Com uma pequena representação vermelha, tirou de sua testa o lenço vermelho e o fincou-o no chão, amarrado num graveto. Parou e refletiu sobre essa peculiar atitude d’O Homem de deixar rastros de sua identidade pelo caminho percorrido. Que necessidade era essa? Olhou o caminho à frente, e percebeu que não havia sequer algum referencial por onde começar, apenas o chão branco e liso, moldado pela neve. Em frente então, O Homem seguia, pois sempre fora o que ele tinha feito. E que caminho que era… A subida era demasiado ingrime para as pernas cansadas d’O Homem, onde haveria de conseguir comida? Onde haveria de conseguir abrigo? Só se fez estas perguntas de cunho biológico quando o psicológico identificou já sinais de problema, ainda se perguntando com que frequência isso acontecia.
O ambiente era hostil, e talvez isso fizesse da determinação do homem de sobreviver, tão hostil que ela precisasse se sobrepujar à hostilidade do ambiente. Quem sabe um defeito, uma querela psicológica. Pensou-se, e viu que essa necessidade era tão antiga quanto o princípio. Não a necessidade de convivência, mas de dominação. Antes da dominação do homem sobre o próprio homem, a dominação do homem sobre a natureza, e não a conivência mútua. De onde era esse inconformismo do ser, que obrigava-o subconscientemente a ser e ter? Esse instinto de sobrevivência, transformava-se em instinto de dominação, em raiva subconsciente por estar exposto não à hostilidade da montanha ou do ambiente, mas à um inconformismo prévio com a própria morte. A não-aceitação da morte, da vida fugaz, faz o psicológico trabalhar com uma negação, o que teria como fim o subconsciente violentando as vontades do homem, sem aviso prévio. Porque tanta dificuldade com a aceitação da morte? O Homem mesmo, no princípio venerava a morte, e hoje a repudia, a nega, a desconhece. É a morte que faz o homem?
Logo O Homem viu que seriam mais perguntas do que resoluções que encontraria na árdua subida, e encontrava-se ainda muito distante da neblina, a clareza ainda o ajudava em tese. A temperatura baixava a cada passo, e nem mesmo trinta tinham sido dados. A respiração já era ofegante, e o cansaço, potencializado. Humano, demasiado humano, O Homem e suas limitações avançavam de maneira trêmula e exaustiva, e talvez a verdade sobre todas as coisas não estivesse em seu alcance, nem de todos os outros que tentaram alcançá-la.
Mas recusava-se a extinguir-se deitado no frio. Apenas recusava-se. Via mais uma vez que movia-se através de uma negação, e se questionou sobre até que ponto o ser humano usa a negação para construir e construir-se. Mais importante ainda no momento, era dar mais um passo. Por quê? Pra quem? Se O Homem esperava a morte solenemente, porque dar mais um passo? De onde era essa débil resistência contra a morte certa, contra as suas limitações biológicas? Seria um problema do ego? Pensou O Homem, que tudo fosse uma ferida aberta para sempre, onde seu subconsciente se dá conta de que as limitações biológicas são imputadas pela natureza, e daí advém a raiva, a negação, e a necessidade de dominação d’O Homem. Também, deu-se conta que a negação da morte, era também a negação da limitação biológica do homem, ou de forma mais abrangente, de sua imperfeição. A negação chega em tal ponto, que a culpa é projetada em outra instância de poder, chegando em níveis até transcendentais. O Homem culpa a natureza por não tê-lo feito perfeito, e uma figura projetada como progenitora de todas as coisas: Deus. Sobre esta última parte, O Homem não quis se demorar neste momento. Saberia que não iria morrer, simplesmente por saber, e que noutro momento se deitaria em discussão tão ampla.
O que importava era a teimosia da existência. Ou melhor, a teimosia em não deixar que essa existência se transformasse em uma eminente não-existência. Ficou incomodado também como tudo que articulava partia de um pressuposto negativo, ou seja, a construção pela desconstrução, ou ainda, o ser pelo não-ser. Havia uma necessidade d’O Homem de provar que ele conseguiria permanecer vivo, à todo custo, e também numa segunda consideração, a todo instante.
Quando sua temperatura parecia se esvair do seu corpo como a sabedoria que corre do arrogante, O Homem deitou-se de costas na neve, com o vento cerrando friamente seu corpo sem a mínima piedade. Será que O Homem não poderia jamais aprender a conviver com a natureza, sendo parte de um grande organismo, e não tentá-la dominá-la e sobrepôr-se à ela? A sua teimosia em continuar vivo, que expressava sua ganância subconsciente pelo encontro com a verdade, eram provas de que mesmo com uma intenção aparentemente nobre, O Homem não teria limites para medir seu nível de extração com a natureza, ou seja, ele jamais se contentará em coabitar com a natureza até exauri-la completamente?
Uma última pergunta o perturbava mais do que todas. Seria o preço pago para a jornada em busca da verdade, sua vida?
Descobriremos que de certa forma, sim.
Você Como Eu Quero.
Eu quero você, você como eu quero.
Queria que você aparecesse de surpresa na minha vida, mas não queria que você me deixasse esperando muito.
Queria que você aproveitasse todos os momentos que os solteiros consideram como bobos, que estão na minha cabeça.
Você não precisa ser morena, ruiva ou loira. Pode ter o cabelo da cor que quiser. Não ligo também se você tiver piercings, pelo contrário, eu até acho muito sexy. Tatuagens? À vontade.
Os olhos. Não importa-me se eles forem azuis, verdes, castanhos ou negros. O que me importa é que você tenha brilho no olhar, e esse brilho diga já toda a sua vontade de viver e ser feliz. Olhares que falam mais do que palavras, ganham meu coração.
A risada pode ser qualquer uma, e qualquer uma é singular, isso já me basta. Mas o sorriso, ah, esse tem que ser doce e gentil. Tem que passar tranquilidade pra alma de quem o vê. Tanto faz os lábios finos ou grossos, o que me chama atenção é sempre batom vermelho. Me enche de desejo e faz querer beijar até estar sem energias.
Tanto faz ser alta ou baixa. Você tem que gostar de abraçar as pessoas, de sentir o calor humano. O corpo, não importa. Aliás, até importa sim, os nossos corpos tem que se encaixar. Tem que ser também uma pessoa que goste de receber, mas também de dar, muito carinho.
A voz. Não pode ser muito estridente. Pode ser uma pessoa que fale bastante, porque eu falo bastante. Só tem que saber fazer silêncio nas horas certas, mas isso é bom senso, e não voz. Pode ser uma voz grave/rouca, ou qualquer outra.
Que você fique abraçada comigo, deitada na cama, com preguiça de levantar porque já é dia claro. E que fique sem dormir comigo, até o dia ficar claro. Que você não saia debaixo do edredom naquele domingo chuvoso, e que só precisemos do controle remoto pra escolher um bom filme na TV.
Que você também seja amante do café, pra que nessas horas eu te faça um e nós tomemos, juntinhos.
Que você não se surpreenda negativamente com uma rapidinha, e que compreenda que há tanto o sexo carnal como o sexo passional, e ambos são ótimos em seus contextos.
Você tem que ser amante de boa música. Tem. Que. Não dá pra viver sem música, e não dá pra viver sem você. Não precisa ser exatamente o que eu gosto, o seu gosto musical pode diferir do meu, mas tem que ser boa música. Pra que no final de um dia estressante ou num momento de tristeza, eu sente do seu lado e toque sua música favorita sussurrando a letra no seu ouvido.
Que você nunca tenha as mesmas opiniões sempre, sobre tudo, e que esteja sempre aberta à mudanças. Como aquele dia ensolarado que aparece do nada, junto com minha súbita vontade de fazer uma trilha, e no dia seguinte ficar o dia inteiro largado no sofá.
Que você fique só comigo, não porque você é minha posse ou porque eu sou a sua, mas porque nosso amor é tão grande que satisfaz todos os espaços de nossos corações. E que nós nos reinventemos com o passar do tempo.
Que você fique deitada comigo na grama uma tarde inteira, rindo das nuvens e vendo figuras nos galhos. Que a gente role nela também, trocando afagos.
Tanto faz se você for religiosa ou ateísta. Contanto que você esteja consciente das minhas escolas e as respeite, isso é tudo que me basta.
Que você goste de ler, e que goste de boas histórias. Para que nós as leiamos juntos, e escrevamos as nossas próprias.
Que seja contestadora, que não aceite uma verdade absoluta, mas que não ande por aí achando que há fantasmas querendo dominar o mundo e que vivemos na Matrix.
Que saiba que eu não gosto de praia, mas mesmo assim me leve na única que eu suporto.
Que você goste dos meus amigos, assim como gosto dos seus. Que não nos esqueçamos jamais que eles existem, mas não nos esqueçamos de ser só nós.
Que você não tenha medo dos sentimentos, e não tenha medo de sentir. Saiba que a vida é uma só e esteja disposta a correr riscos. Sem medo de tropeçar, sabendo que vou estar sempre segurando sua mão.
Que briguemos de vez em quando. Uma vida em linha reta não é o que eu procuro. Que você grite comigo até os seus pulmões ficarem sem ar, e depois me devore num beijo sem fim.
Que você ande de mãos dadas comigo pra lugar nenhum.
Que você... Exista, e não seja eu.
Queria que você aparecesse de surpresa na minha vida, mas não queria que você me deixasse esperando muito.
Queria que você aproveitasse todos os momentos que os solteiros consideram como bobos, que estão na minha cabeça.
Você não precisa ser morena, ruiva ou loira. Pode ter o cabelo da cor que quiser. Não ligo também se você tiver piercings, pelo contrário, eu até acho muito sexy. Tatuagens? À vontade.
Os olhos. Não importa-me se eles forem azuis, verdes, castanhos ou negros. O que me importa é que você tenha brilho no olhar, e esse brilho diga já toda a sua vontade de viver e ser feliz. Olhares que falam mais do que palavras, ganham meu coração.
A risada pode ser qualquer uma, e qualquer uma é singular, isso já me basta. Mas o sorriso, ah, esse tem que ser doce e gentil. Tem que passar tranquilidade pra alma de quem o vê. Tanto faz os lábios finos ou grossos, o que me chama atenção é sempre batom vermelho. Me enche de desejo e faz querer beijar até estar sem energias.
Tanto faz ser alta ou baixa. Você tem que gostar de abraçar as pessoas, de sentir o calor humano. O corpo, não importa. Aliás, até importa sim, os nossos corpos tem que se encaixar. Tem que ser também uma pessoa que goste de receber, mas também de dar, muito carinho.
A voz. Não pode ser muito estridente. Pode ser uma pessoa que fale bastante, porque eu falo bastante. Só tem que saber fazer silêncio nas horas certas, mas isso é bom senso, e não voz. Pode ser uma voz grave/rouca, ou qualquer outra.
Que você fique abraçada comigo, deitada na cama, com preguiça de levantar porque já é dia claro. E que fique sem dormir comigo, até o dia ficar claro. Que você não saia debaixo do edredom naquele domingo chuvoso, e que só precisemos do controle remoto pra escolher um bom filme na TV.
Que você também seja amante do café, pra que nessas horas eu te faça um e nós tomemos, juntinhos.
Que você não se surpreenda negativamente com uma rapidinha, e que compreenda que há tanto o sexo carnal como o sexo passional, e ambos são ótimos em seus contextos.
Você tem que ser amante de boa música. Tem. Que. Não dá pra viver sem música, e não dá pra viver sem você. Não precisa ser exatamente o que eu gosto, o seu gosto musical pode diferir do meu, mas tem que ser boa música. Pra que no final de um dia estressante ou num momento de tristeza, eu sente do seu lado e toque sua música favorita sussurrando a letra no seu ouvido.
Que você nunca tenha as mesmas opiniões sempre, sobre tudo, e que esteja sempre aberta à mudanças. Como aquele dia ensolarado que aparece do nada, junto com minha súbita vontade de fazer uma trilha, e no dia seguinte ficar o dia inteiro largado no sofá.
Que você fique só comigo, não porque você é minha posse ou porque eu sou a sua, mas porque nosso amor é tão grande que satisfaz todos os espaços de nossos corações. E que nós nos reinventemos com o passar do tempo.
Que você fique deitada comigo na grama uma tarde inteira, rindo das nuvens e vendo figuras nos galhos. Que a gente role nela também, trocando afagos.
Tanto faz se você for religiosa ou ateísta. Contanto que você esteja consciente das minhas escolas e as respeite, isso é tudo que me basta.
Que você goste de ler, e que goste de boas histórias. Para que nós as leiamos juntos, e escrevamos as nossas próprias.
Que seja contestadora, que não aceite uma verdade absoluta, mas que não ande por aí achando que há fantasmas querendo dominar o mundo e que vivemos na Matrix.
Que saiba que eu não gosto de praia, mas mesmo assim me leve na única que eu suporto.
Que você goste dos meus amigos, assim como gosto dos seus. Que não nos esqueçamos jamais que eles existem, mas não nos esqueçamos de ser só nós.
Que você não tenha medo dos sentimentos, e não tenha medo de sentir. Saiba que a vida é uma só e esteja disposta a correr riscos. Sem medo de tropeçar, sabendo que vou estar sempre segurando sua mão.
Que briguemos de vez em quando. Uma vida em linha reta não é o que eu procuro. Que você grite comigo até os seus pulmões ficarem sem ar, e depois me devore num beijo sem fim.
Que você ande de mãos dadas comigo pra lugar nenhum.
Que você... Exista, e não seja eu.
Fim da Festa.
É o êxtase, os jogos de luzes,
É a música alta,
Todas as risadas, os encontros e desencontros,
Os beijos,
Olhares perdidos,
Rodas eternas enquanto durarem,
A alegria captada em tempos de 4 por 4.
É a sensação de alucinógeno,
Mas como, se sóbrio e são,
Danço sozinho no mosaico sob meus pés?
É a droga da alegria,
Hoje tão obrigatória quanto rara de qualidade,
Todos brindam a vida,
Brindam ao prazer,
Que dura o tempo de uma festa.
O infinito marcado nas batidas da música,
Abraços,
Declarações,
Promessas de um novo mundo,
Promessas de amor, eterno amor,
E no fim da festa, todos se vão.
Não,
O problema não é a festa,
É o medo do fim da festa (ou da sensação de),
Onde o lugar fica vazio,
A bebida já acabou
O maço está vazio,
E cadê quem me acompanhou?
Se a festa pudesse ser infinita,
Se a música não parasse,
Se a bebida não acabasse,
E as pessoas não se fossem,
O tempo não passaria.
Se nem o texto eu consigo terminar,
Com o mesmo pensamento do início,
Como haveria de ser a festa,
A mesma de seu princípio?
Quisera eu,
Que a noite fosse perpétua,
Que as luzes psicodélicas não se apagassem,
Que a alucinação da felicidade jamais passasse,
Que todos que vieram, não se vão,
Que a droga da alegria jamais acabasse,
Que o fim da festa jamais chegasse.
Mas tolo sonhador,
O senhor do tempo não perdoa,
E leva tudo consigo.
Das festas, e companhias,
Nem a droga da alegria eu já tenho mais.
É a música alta,
Todas as risadas, os encontros e desencontros,
Os beijos,
Olhares perdidos,
Rodas eternas enquanto durarem,
A alegria captada em tempos de 4 por 4.
É a sensação de alucinógeno,
Mas como, se sóbrio e são,
Danço sozinho no mosaico sob meus pés?
É a droga da alegria,
Hoje tão obrigatória quanto rara de qualidade,
Todos brindam a vida,
Brindam ao prazer,
Que dura o tempo de uma festa.
O infinito marcado nas batidas da música,
Abraços,
Declarações,
Promessas de um novo mundo,
Promessas de amor, eterno amor,
E no fim da festa, todos se vão.
Não,
O problema não é a festa,
É o medo do fim da festa (ou da sensação de),
Onde o lugar fica vazio,
A bebida já acabou
O maço está vazio,
E cadê quem me acompanhou?
Se a festa pudesse ser infinita,
Se a música não parasse,
Se a bebida não acabasse,
E as pessoas não se fossem,
O tempo não passaria.
Se nem o texto eu consigo terminar,
Com o mesmo pensamento do início,
Como haveria de ser a festa,
A mesma de seu princípio?
Quisera eu,
Que a noite fosse perpétua,
Que as luzes psicodélicas não se apagassem,
Que a alucinação da felicidade jamais passasse,
Que todos que vieram, não se vão,
Que a droga da alegria jamais acabasse,
Que o fim da festa jamais chegasse.
Mas tolo sonhador,
O senhor do tempo não perdoa,
E leva tudo consigo.
Das festas, e companhias,
Nem a droga da alegria eu já tenho mais.
Um Ano.
Quanto tempo tem um ano,
E quanto tempo um ano tem?
Para desvendar o mistério,
É preciso se jogar na vida, meu bem.
Quanto tempo faz um ano,
E quanto ao tempo um ano faz?
Se encontram e se cruzam,
Vidas de reles mortais.
Do tempo que só anda pra frente,
Carregam-se vidas que se arrastam,
Perdidos no tempo presente,
Laços que se desgastam de nefastas e tétricas mentes.
O tempo que voa e não desce,
E tudo que recebe seu toque, perece,
Corações que um dia no tempo chegaram a se encontrar,
Levados pelo mesmo que nunca vai voltar.
Então, viva de explosões,
Porque em qualquer tempo dentro de um ano,
Perdem-se na fugacidade de eternas maldições,
Tanto mente, quanto corpo, quanto um engano,
A maldição da morte do velho para vir o novo,
Levado pelos ponteiros inexoráveis de novo,
Sempre o mesmo, porém jamais igual,
Só depende de você o quanto de tempo será o seu normal.
Então, quanto tempo mesmo tem um ano,
E quanto de anos que um ano tem?
Na relatividade subjetiva do tempo,
Um ano tem todos os anos que podem construir alguém.
E quanto tempo um ano tem?
Para desvendar o mistério,
É preciso se jogar na vida, meu bem.
Quanto tempo faz um ano,
E quanto ao tempo um ano faz?
Se encontram e se cruzam,
Vidas de reles mortais.
Do tempo que só anda pra frente,
Carregam-se vidas que se arrastam,
Perdidos no tempo presente,
Laços que se desgastam de nefastas e tétricas mentes.
O tempo que voa e não desce,
E tudo que recebe seu toque, perece,
Corações que um dia no tempo chegaram a se encontrar,
Levados pelo mesmo que nunca vai voltar.
Então, viva de explosões,
Porque em qualquer tempo dentro de um ano,
Perdem-se na fugacidade de eternas maldições,
Tanto mente, quanto corpo, quanto um engano,
A maldição da morte do velho para vir o novo,
Levado pelos ponteiros inexoráveis de novo,
Sempre o mesmo, porém jamais igual,
Só depende de você o quanto de tempo será o seu normal.
Então, quanto tempo mesmo tem um ano,
E quanto de anos que um ano tem?
Na relatividade subjetiva do tempo,
Um ano tem todos os anos que podem construir alguém.
Untitled #1
Você já parou pra pensar o quão difícil é ter que nomear alguma coisa?
Quando você dá um nome, você dá um panorama, um limite, segundo a lógica platônica, ao dizer o que alguma coisa é, você diz tudo o que ela também não é.
Não acho errado. Ainda não parei para refletir sobre essa abstração do ser a partir do não-ser, da construção pela desconstrução, da formação através da negação. É relativizar ao ponto máximo de chegarmos a determinarmos o que é o vácuo. Seria ausência total, completude?
Mas o ato tão natural de nomear, carregado de todas as suas impensáveis (mas enormes) consequências, hoje em dia me incomoda.
Nesse mundo twittaço, o difícil é não viver de máximas e aforismos.
Quando você dá um nome, você dá um panorama, um limite, segundo a lógica platônica, ao dizer o que alguma coisa é, você diz tudo o que ela também não é.
Não acho errado. Ainda não parei para refletir sobre essa abstração do ser a partir do não-ser, da construção pela desconstrução, da formação através da negação. É relativizar ao ponto máximo de chegarmos a determinarmos o que é o vácuo. Seria ausência total, completude?
Mas o ato tão natural de nomear, carregado de todas as suas impensáveis (mas enormes) consequências, hoje em dia me incomoda.
Nesse mundo twittaço, o difícil é não viver de máximas e aforismos.
Sobre Bifurcações.
De pé o andarilho olha a bifurcação perante seus olhos.
Ambos os caminhos agora são circulares.
Em um estende-se um tapete vermelho,
No outro, terra batida com pequenas pedrinhas amarelas brilhantes.
Pensou bastante sobre qual caminho seguir,
Não chegou em qualquer conclusão,
Se não, que pensar demais sobre qual direção ir,
Não tiraria seus pés do chão.
No entanto nenhum passo para qualquer caminho,
Nenhum sinal de orientação, estava sozinho,
Um passo para frente, um para trás.
Esperaria, por ora, então.
Sentou-se.
Afinal, sua jornada está só começando.
Mesa de Bar.
Ela estava ali, numa mesa de bar, com seus olhos doces a me olhar, e eu a ela. Incrível como eu simplesmente abstraí todo o meu redor. Ali só havia ela, a sua voz mística, os seus olhos, e as espirais a voarem com o vento frio da noite. Ela falava, e eu também, mas os meus olhos vidrados nos dela, fazia pulsar o sangue quente, o coração galopante, o calor do desejo. Só havia eu e ela ali, logo eu conseguia captar todos os detalhes... Sim, os mesmos detalhes que a tornam tão singular, e que me atraem como as ondas do mar.
Seu jeito de gesticular, a famosa forma de falar com os olhos de mel, que intriga o mais sábio dos sábios, os óculos da cor dos cabelos, e estes tão livres e ardentes como o seu ser. O conflito, a desconstrução, a hesitação contínua quando vê um argumento próprio desconstruído. O rosto sereno, como se fosse desenhado, o sorriso tímido, uma risada afável, e uma voz... Uma voz singular. Me soa aos ouvidos como um gracejo provocativo, sendo uma voz forte de uma mulher, não de uma menina, que faz jus ao seu corpo sinuoso e escultural.
Há tanto nos detalhes... há tanto o que consigo ler em um só olhar. E como há.
Há algo de inexplicável em toda conversa. Aliás, se me permite mais licença poética, há uma fatal convergência de seres e saberes em todas as nossas conversas, pelo menos no que diz respeito ao meu sentimento sobre. Não são palavras jogadas ao relento, e nem uma fútil tentativa de juntos matarmos o senhor inexorável do Tempo. Não. Porém, é um evento tão singular, que até ele fica com medo e foge. Não o vemos passar.
Ao conversar com você, entro em conexão com algo inominável, porque vejo que a sua forma de pensar, agir, argumentar e ser, é igual à minha, mas oposta. Ora, como pode? Não sei. Apesar de toda a jocosidade, é inigualável sua determinação, sua idiossincrasia, seu orgulho feminino (do tipo nobre, não do tipo nazista), o punho que sobe na luta contra a opressão e a sua compreensão de mundo e compreensão do ser e do si. E eu, com essa psicologia imoral e bigoduda, minha abstração movimentista, meu sinuoso equilíbrio, tenho tudo nada a ver com isso. Talvez estejamos fazendo história num tipo de ''trialética''. Você com os dois lados de um conflito, e eu no meio com o tal do equilíbrio.
Há muito talvez, e pouco que eu consiga explicar, mas de toda abstração a certeza: Você me atrai com cada palavra, cada olhar e sorriso, cada vez mais pra perto de ti, e é para aí que eu quero chegar.
Seu jeito de gesticular, a famosa forma de falar com os olhos de mel, que intriga o mais sábio dos sábios, os óculos da cor dos cabelos, e estes tão livres e ardentes como o seu ser. O conflito, a desconstrução, a hesitação contínua quando vê um argumento próprio desconstruído. O rosto sereno, como se fosse desenhado, o sorriso tímido, uma risada afável, e uma voz... Uma voz singular. Me soa aos ouvidos como um gracejo provocativo, sendo uma voz forte de uma mulher, não de uma menina, que faz jus ao seu corpo sinuoso e escultural.
Há tanto nos detalhes... há tanto o que consigo ler em um só olhar. E como há.
Há algo de inexplicável em toda conversa. Aliás, se me permite mais licença poética, há uma fatal convergência de seres e saberes em todas as nossas conversas, pelo menos no que diz respeito ao meu sentimento sobre. Não são palavras jogadas ao relento, e nem uma fútil tentativa de juntos matarmos o senhor inexorável do Tempo. Não. Porém, é um evento tão singular, que até ele fica com medo e foge. Não o vemos passar.
Ao conversar com você, entro em conexão com algo inominável, porque vejo que a sua forma de pensar, agir, argumentar e ser, é igual à minha, mas oposta. Ora, como pode? Não sei. Apesar de toda a jocosidade, é inigualável sua determinação, sua idiossincrasia, seu orgulho feminino (do tipo nobre, não do tipo nazista), o punho que sobe na luta contra a opressão e a sua compreensão de mundo e compreensão do ser e do si. E eu, com essa psicologia imoral e bigoduda, minha abstração movimentista, meu sinuoso equilíbrio, tenho tudo nada a ver com isso. Talvez estejamos fazendo história num tipo de ''trialética''. Você com os dois lados de um conflito, e eu no meio com o tal do equilíbrio.
Há muito talvez, e pouco que eu consiga explicar, mas de toda abstração a certeza: Você me atrai com cada palavra, cada olhar e sorriso, cada vez mais pra perto de ti, e é para aí que eu quero chegar.
Abstração Forçada Espontaneamente.
Da teoria,
Poderia,
Haver mais abstração que o evidenciado.
Não que fosse de minha vontade,
Ou talvez devesse ser, só que não programada.
Apropriação e abstração.
As ações conscientemente involuntárias do seu e meu ser.
Você se apropriou do meu sono,
Reivindicou o espaço do nada pra você,
E dança nos meus pensamentos,
Em delírios, aventuras, dramas e romances.
Somos livres pra viver a poesia, eu e você,
Corremos por ela e damos a forma que nos convém.
Você se apropriou do meu desejo e do meu calor.
As minhas vontades convergem em você,
Assim como meus olhos ao te detectar no meu campo de visão.
E do meu calor, que descansa solene e tranquilo,
Com a tua iminente presença desperta em fúria e eloquência,
Transformando-se em derradeira atração.
Você espontaneamente me força à uma abstração,
Já que as palavras e as coisas retorcem-se em espirais vermelhas,
Já que o sono se transforma num encontro desconhecido,
Já que minhas teorias caem por terra, desconstruídas pela divagação até você,
Já que os sons se confundem, se perdem, e se transformam em sua voz,
Já que o fatalismo condicionado me delega a uma única certeza.
De que eu estou é gostando de tudo isso, ó insensatez.
Poderia,
Haver mais abstração que o evidenciado.
Não que fosse de minha vontade,
Ou talvez devesse ser, só que não programada.
Apropriação e abstração.
As ações conscientemente involuntárias do seu e meu ser.
Você se apropriou do meu sono,
Reivindicou o espaço do nada pra você,
E dança nos meus pensamentos,
Em delírios, aventuras, dramas e romances.
Somos livres pra viver a poesia, eu e você,
Corremos por ela e damos a forma que nos convém.
Você se apropriou do meu desejo e do meu calor.
As minhas vontades convergem em você,
Assim como meus olhos ao te detectar no meu campo de visão.
E do meu calor, que descansa solene e tranquilo,
Com a tua iminente presença desperta em fúria e eloquência,
Transformando-se em derradeira atração.
Você espontaneamente me força à uma abstração,
Já que as palavras e as coisas retorcem-se em espirais vermelhas,
Já que o sono se transforma num encontro desconhecido,
Já que minhas teorias caem por terra, desconstruídas pela divagação até você,
Já que os sons se confundem, se perdem, e se transformam em sua voz,
Já que o fatalismo condicionado me delega a uma única certeza.
De que eu estou é gostando de tudo isso, ó insensatez.
Extratos da Saudade II
I
Para matar as saudades,
Fui ver-te em ânsias corridas,
E eu que fui matar saudades,
Venho de saudades morrendo.
II
"Dizer adeus nada custa",
Alguém me mandou dizer,
Porém se nada custa,
Queira bem, é vós dizer.
III
Saudade é todo o passado,
Revivido no presente,
Vida que foi e não volta,
Chorando dentro da gente.
Iubélia de Souza, 31/07/1988
Para matar as saudades,
Fui ver-te em ânsias corridas,
E eu que fui matar saudades,
Venho de saudades morrendo.
II
"Dizer adeus nada custa",
Alguém me mandou dizer,
Porém se nada custa,
Queira bem, é vós dizer.
III
Saudade é todo o passado,
Revivido no presente,
Vida que foi e não volta,
Chorando dentro da gente.
Iubélia de Souza, 31/07/1988
Extratos da Saudade.
"Querido Papai,
Te escrevo, a minha mão treme. Você está vendo!? São muitos anos, você está longe! Acredito que em breve nos encontraremos.
Onde vive? Você não diz.
As lágrimas correm pelo meu rosto, orgulhosa, eu sempre serei de você.
Outrora seus braços me apertavam e eu sorria, unida a minha (nossa) família.
Vivemos com disciplina e orgulho, e todos os dias rezo por você, pedindo a Jesus para te dar luz, meu adorado Papai."
Eleonora Giglio, 86 anos de idade.
Te escrevo, a minha mão treme. Você está vendo!? São muitos anos, você está longe! Acredito que em breve nos encontraremos.
Onde vive? Você não diz.
As lágrimas correm pelo meu rosto, orgulhosa, eu sempre serei de você.
Outrora seus braços me apertavam e eu sorria, unida a minha (nossa) família.
Vivemos com disciplina e orgulho, e todos os dias rezo por você, pedindo a Jesus para te dar luz, meu adorado Papai."
Eleonora Giglio, 86 anos de idade.
415 Teorias Quase Sem Querer.
Há quem prefira momentos de epifania completa, e quem acredite na convergência de um cosmos ou algo transcendental que leve a um momento plenamente sublime. Eu não, prefiro acreditar na paixão pelos minuciosos detalhes.
É como prefiro explicar de forma simples um enorme esplendor que se faz presente na minha vida ultimamente. E toda beleza reside em pequenos detalhes que formam algo muito simples, porém dotado de um sentido tão vasto. Não, apesar de eu ser um poeta perdido nesse tempo duro e sem arte, não é difícil de entender o que aconteceu, não se embole no caminho das palavras, apenas sinta-os, como eu faço.
Vê, é nítida a singularidade do ser, mas determinados seres tem uma singularidade tão específica, tão distinta e amável, que provocam pequenas revoluções por onde passam. O que acontece, simplesmente, é que por destino ou não, aos meus vinte anos me deparo com uma singularidade revolucionária.
Por mais que eu tenha o natural movimento de poetizar as coisas e pessoas, vou tentar explicar segundo minha paixão por detalhes como é essa singularidade revolucionária. Minha ideia de singularidade revolucionária compreende tudo que for singular, dentro de uma só pessoa. Não é apenas uma pessoa diferente, mas é uma pessoa diferente de tudo e que todas essas diferenças tenham um maravilhoso sentido.
Essa singularidade revolucionária, é muito curiosa, e tem particularidades que são demasiadamente peculiares, que me causam espanto e imenso gosto, e aqui tentarei enfileirar algumas. Veja, antes de mais nada, é necessário compreender que eu não abuso do materialismo histórico-dialético e não me projeto nela, sendo assim, não procuro pontos em comum, embora pensemos de forma igual, mas de forma muito diferente.
Somos singulares em nosso cerne, e em nossa comunicação. Nos comunicamos por palavras singulares. Ela, revolução, conflito, e eu, equilíbrio, psiqué. Mas os detalhes que mais gosto, são os que observo repetidamente, como por exemplo(s), a forma de gesticulação para concluir um argumento, ou para compreender um terceiro. Uma teimosia de construção sócio-histórica, um sorriso jocoso, porém gracioso, ao lembrar que voltou a ser caloura. Só que possivelmente a que mais me comove é a singularidade de falar com os olhos... Essa, é inexplicável, logo, não consigo compreender como funciona, e eu, um cara de movimentos do cerne das coisas, fico só admirando. Os olhos por trás das lentes ora expressam frases por si só, ora corroboram argumentos, e de qualquer maneira, há mais mistérios dentro desse mel, do que me é inteligível.
Sim, é singular. Mas o que a torna revolucionária?
Pra mim, não é o sentido em si, mas a causa e o efeito. Deixe-me exemplificar com uma singela situação:
Uma viagem na hora do rush, se transforma num maravilhoso momento de abstração e numa feroz e intensa troca de ideias e palavras, ''mas quais são as palavras que nunca são ditas''? Transforma o desconforto de um ônibus lotado, o calor, o confinamento em si, num espaço gigante de solidão à dois. Consequentemente, o que levaria 415 horas, levou 415 segundos.
Como compreender? Não sei.
Há de se compreender? Acho que não dessa vez, se não rompe-se o misticismo.
De incertezas e incompreensões, a única certeza: Estou muito feliz por ter encontrado uma singularidade revolucionária, e que qualquer meio de transporte leve à qualquer lugar, contanto que estejamos ali.
Sonho em Espiral
Deitei na cama com o cansaço martelando meu corpo após uma noite de intensa música, com o zumbido ainda no ouvido, apaguei, mas não sem sonhar.
"Abro meus olhos, e encontro-me deitado numa cama de lençóis brancos, nu, com uma mulher de igual forma na minha frente. Não vi sua face, e ela não disse uma palavra, mas eu sabia que ela era familiar pelo som de sua respiração. Era serena e tranquila. Aproximei meu corpo do seu para ouvir melhor a sua respiração, e sentir o teu calor, quando encostei meu nariz no teu cabelo e senti seu doce perfume, que exalava tanto por ali como pela sua pele. Olhei por cima de seu corpo, você tinha na mão uma caneta vermelha e um papel onde nada tinha, mas ainda sim não consegui identificar teu rosto, e na hora pensei também que se pudesse, metade da mística seria desfeita no momento, então deixei-me levar por tudo aquilo.
Na densa noite gelada, conversávamos, discutíamos, gritávamos e sussurrávamos sem dizer uma só palavra, apenas com o silêncio da nossa respiração, palavras mudas rasgavam a aura de raciocínio e se fundiam na nossa frente. Sem dizer nada, ela me perguntou:
- Você acredita no amor?
Mudamente respondi:
- Talvez. Acredito certamente no Ser, no Viver e no Devir.
- E o que isso quer dizer?
- Bem...
Em exasperações, inspirações, fungadas e sussurro mudo, eu a expliquei que o Ser era a intensidade, e de que para aquilo não tinha medida, eu era intenso, dessa forma. Eu poderia passar a vida inteira tendo uma nesga de afeição por uma pessoa, assim como poderia desenvolver um desejo explosivo e latente dentro de horas por uma. Eu a expliquei que minha ideia de 'pra sempre' duraria só aqueles minutos, depois eu a reinventaria, junto com tudo mais que fosse necessário. Em seguida, que o viver, ou viver a arte ou a arte de viver, era se entregar puramente à sua humanidade, se permitir sentir tudo o que quisesse, pois de tudo que pode ser sentido, tudo é humano, além de ressaltar que o meu viver busca sempre sentir e aprender novos sentimentos, o meu viver clama por realizar todas as utopias em questões de segundo, e dentro desses segundos compreender uma vida inteira, incorporando tudo que possível for do mundo, dentro de mim. É também a música, em todo o seu amplo sentido, desde as notas mais perfeitas até o que aparentemente não é dotado de sentido. Mas o que a surpreendeu na verdade, foi quando expliquei que nenhum desses dois depende do devir, que é o tempo em sua maestria corrosiva, pois esse Senhor inexorável tudo modifica, a seu bel-prazer. Que eu procuro constantes variáveis em suas fórmulas imprecisas, e quero tudo aquilo que se renova, assim como meu amor pelo paradoxo que a única coisa constante no tempo é que tudo se modifica.
Aquilo fez seu corpo se aquecer e foi quando juntei o meu ao dela. Sem a menor preocupação em reconhecer sua face, ali eu já sabia quem ela era e o que ela pensava. Pus minha mão sobre a sua, e comecei a desenhar o que até então ela não tinha começado. Na verdade deixei simplesmente que nossas respirações, que agora estavam sincronizadas em uníssono, conduzissem minha mão por sobre a dela e várias espirais vermelhas saíram dali. Junto com nossas respirações, fundimos nossos corpos e passamos a ser um par de um só, acelerando a respiração e reduzindo seu compasso, o Ser o Viver e o Devir dançavam ao nosso redor exibindo tudo de melhor que podiam, até que por fim descansamos nossa respiração, no mesmo momento que o sul pungente da manhã rasgava a aurora pelo vidro da janela e eu podia sentir com meu nariz em sua pele o sorriso tenro que ali jazia. O que se seguiria depois? Não sei, não me interessava. Eu vivia na base do improviso, e reinventaria nós dois em pouco tempo."
E quando eu acordei, foi impressionante tudo que eu lembrava com tanta perfeição, mas logo concluí que é porque talvez nunca tive um sonho que retratasse com perfeita exatidão todas as minhas concepções e realidade.
"Abro meus olhos, e encontro-me deitado numa cama de lençóis brancos, nu, com uma mulher de igual forma na minha frente. Não vi sua face, e ela não disse uma palavra, mas eu sabia que ela era familiar pelo som de sua respiração. Era serena e tranquila. Aproximei meu corpo do seu para ouvir melhor a sua respiração, e sentir o teu calor, quando encostei meu nariz no teu cabelo e senti seu doce perfume, que exalava tanto por ali como pela sua pele. Olhei por cima de seu corpo, você tinha na mão uma caneta vermelha e um papel onde nada tinha, mas ainda sim não consegui identificar teu rosto, e na hora pensei também que se pudesse, metade da mística seria desfeita no momento, então deixei-me levar por tudo aquilo.
Na densa noite gelada, conversávamos, discutíamos, gritávamos e sussurrávamos sem dizer uma só palavra, apenas com o silêncio da nossa respiração, palavras mudas rasgavam a aura de raciocínio e se fundiam na nossa frente. Sem dizer nada, ela me perguntou:
- Você acredita no amor?
Mudamente respondi:
- Talvez. Acredito certamente no Ser, no Viver e no Devir.
- E o que isso quer dizer?
- Bem...
Em exasperações, inspirações, fungadas e sussurro mudo, eu a expliquei que o Ser era a intensidade, e de que para aquilo não tinha medida, eu era intenso, dessa forma. Eu poderia passar a vida inteira tendo uma nesga de afeição por uma pessoa, assim como poderia desenvolver um desejo explosivo e latente dentro de horas por uma. Eu a expliquei que minha ideia de 'pra sempre' duraria só aqueles minutos, depois eu a reinventaria, junto com tudo mais que fosse necessário. Em seguida, que o viver, ou viver a arte ou a arte de viver, era se entregar puramente à sua humanidade, se permitir sentir tudo o que quisesse, pois de tudo que pode ser sentido, tudo é humano, além de ressaltar que o meu viver busca sempre sentir e aprender novos sentimentos, o meu viver clama por realizar todas as utopias em questões de segundo, e dentro desses segundos compreender uma vida inteira, incorporando tudo que possível for do mundo, dentro de mim. É também a música, em todo o seu amplo sentido, desde as notas mais perfeitas até o que aparentemente não é dotado de sentido. Mas o que a surpreendeu na verdade, foi quando expliquei que nenhum desses dois depende do devir, que é o tempo em sua maestria corrosiva, pois esse Senhor inexorável tudo modifica, a seu bel-prazer. Que eu procuro constantes variáveis em suas fórmulas imprecisas, e quero tudo aquilo que se renova, assim como meu amor pelo paradoxo que a única coisa constante no tempo é que tudo se modifica.
Aquilo fez seu corpo se aquecer e foi quando juntei o meu ao dela. Sem a menor preocupação em reconhecer sua face, ali eu já sabia quem ela era e o que ela pensava. Pus minha mão sobre a sua, e comecei a desenhar o que até então ela não tinha começado. Na verdade deixei simplesmente que nossas respirações, que agora estavam sincronizadas em uníssono, conduzissem minha mão por sobre a dela e várias espirais vermelhas saíram dali. Junto com nossas respirações, fundimos nossos corpos e passamos a ser um par de um só, acelerando a respiração e reduzindo seu compasso, o Ser o Viver e o Devir dançavam ao nosso redor exibindo tudo de melhor que podiam, até que por fim descansamos nossa respiração, no mesmo momento que o sul pungente da manhã rasgava a aurora pelo vidro da janela e eu podia sentir com meu nariz em sua pele o sorriso tenro que ali jazia. O que se seguiria depois? Não sei, não me interessava. Eu vivia na base do improviso, e reinventaria nós dois em pouco tempo."
E quando eu acordei, foi impressionante tudo que eu lembrava com tanta perfeição, mas logo concluí que é porque talvez nunca tive um sonho que retratasse com perfeita exatidão todas as minhas concepções e realidade.
O Livro.
Sempre tive grande curiosidade por grandes histórias.
Tenho gosto pelos pequenos detalhes,
Histórias minuciosas,
Em grandes mundos feitos de entalhes.
Encontramo-nos por acaso, eu e o livro,
Ele, sem saber que eu apreciava tanto seu conteúdo,
Eu, contudo, sem saber que sua leitura seria tão intensa,
Que aprenderia alguma coisa pro que vivo.
O início foi incendiário,
Queimava de ansiedade por entender a estória,
Um começo extraordinário,
Por ter encontrado o livro me sentia cheio de glória.
Ora, como não haveria de ser,
Minha leitura era rápida e voraz,
Se eu estava certo do que queria ler,
Como não querer ler mais?
O livro tinha cara de ser perfeito,
As páginas pareciam ter tanto pra se entender,
Porém em todo seu conteúdo sem defeito,
Havia algo que não queria ler.
Já no meio do conto,
O rumo do livro mudou,
Eu já não entendia do começo da frase até o ponto,
E do início, o que ficou?
Uma tristeza eminente,
A estória terminou
Envolvido na trama e contente,
Com coisa ainda pra ler, não posso dizer que acabou.
A estória terminou, mas o livro não,
O resto das palavras eu apenas leria,
De todo sentido o que entendi foi a confusão,
Jurei não esmorecer, que aquele livro eu terminaria.
Por quê?
Não sei... E quem há de entender?
Mas me diga de novo, porque há de haver um por quê?
Faça o certo com um sorriso, ou não o faça.
Era tarde.
Ouvia dentre todos os sons do silêncio, o estalar do isqueiro e o crepitar do tabaco em seguida. Despejou uma dose de whisky no copo sujo, olhou melhor e jogou o copo no chão, tomando direto do gargalo da garrafa quadrangular. Despejou ruídos, berros, gemidos e sons indefinidos só para cortar a perfeição do silêncio. O silêncio era jocoso, e parecia querer lhe ferir. Começou a bambolear-se ao levantar, esbravejando os urros indecifráveis ainda, a garrafa chacoalhando na mão, e seu corpo tão dormente que poderia levar uma tacada na cabeça que ainda por cima riria. Jogava as coisas ao seu redor para todos os lados, sentia desejo de despejo, queria despejar tudo em tudo que alvo fosse. Sentia uma ira fora do normal, mas não se entendia. Via tudo em um borrão, não sabia se era lágrimas, não sabia se era o quente de seu corpo bêbado, não sabia se era de tanto rodar, não sabia. Finalmente depois de tanto se misturarem as sensações, os lugares e os sentimentos, apagara ainda com a garrafa na mão, com uma perna sobre o sofá e a cara enterrada no tapete. Estava só, e do jeito que tinha procedido, parece que realmente sempre estivera só.
Era cedo.
O frio da manhã era demasiado vil para passar despercebido com o corpo jogado à revelia, somente com uma calça jeans e nada mais. Com a cabeça ainda rodando e sua pele arrepiada e rígida, foi fechar a janela da varanda, onde as cortinas dançavam melancolicamente, trazendo à tona a memória que o whisky apagara momentaneamente. Sentiu o rosto vermelho de raiva outra vez, dessa vez não despejaria imensas doses de nicotina no pulmão, ou amargas doses de Jack no fígado. Fez um café tão forte que parecia estar tomando pó sem água, sentou-se na cadeira perto da escrivaninha, puxou pra perto a máquina de escrever e despejou palavras mudas em papéis que voavam de raiva. Era parte de sua terapia de auto-flagelamento. Por longas horas só se ouvia o tec-tec dos botões da máquina, e a cerâmica da xícara de café batendo na madeira toda vez que era posta após um gole. Entrava o combustível, saía a ira em forma de poesia. Cantava toda sua tristeza em versos e mais versos, em páginas e mais páginas, sabendo que ninguém jamais veria tudo que tivera dito, ou se importado com tudo que tivera sentido, mas seus versos cortantes tinham destinatário e onde quer que estivesse sentiria por telepatia toda sua mistura melancólica de tristeza, raiva e solidão.
Era tarde.
Não era necessariamente tarde de forma cronológica, mas era tão tarde para tantas outras coisas... Era tarde para que soubesse de um motivo para que seu dia tivesse terminado de começar ali na máquina de escrever, ou que esperasse uma centelha de preocupação ou afeto ou compreensão vindos do lado oposto o qual sua ira viajava, e era tão tarde pra que compreendesse tudo isso. Era tarde pra que se desse ao luxo de afogar-se em tristeza e dor e não tomasse nenhuma atitude perante a si, sendo injusto consigo permanecer nesse deplorável estado de coisas, enquanto o alvo de sua ira estaria, sabe-se lá, muito melhor. Era tarde pra lembrar-se de que sempre que se prometia algo, deveria cumprir e que não deveria cometer os mesmos erros, que não deveria ter as mesmas atitudes condescendentes... Era tarde pra se lembrar que já era tarde pra si. Era tarde pra tentar se agarrar em qualquer coisa que estava se despejando e escorrendo pra todos os lados de dentro de si, mas jamais esquecera de sorrir. Era muito tarde para todos os ''se'' dentro de todos os ''si''. Com efeito, a medida que ia ficando mais vazio, sorria mais, e tão subsequente à sua torrente de palavras jogadas ao léu já nem lembrava-se mais o que fazia incólume naquela cadeira velha.
Era certo.
Decidira-se por forçar-se a ficar bem, a qualquer custo, até o fim da semana. Com efeito, obrigava-se a sorrir, porque estava respirando e de olhos abertos, e isso era o tudo que tinha de fazer. E repetiria para si na semana seguinte, sentindo-se profundamente feliz de forma muito superficial. Seria a resposta fingir? Não, era apenas "ser profissional" no que se faz, e fazer bem o que se faz, quando sabia que nada faria. Faça o certo com um sorriso, ou não o faça.
É seu lema de vida.
Ouvia dentre todos os sons do silêncio, o estalar do isqueiro e o crepitar do tabaco em seguida. Despejou uma dose de whisky no copo sujo, olhou melhor e jogou o copo no chão, tomando direto do gargalo da garrafa quadrangular. Despejou ruídos, berros, gemidos e sons indefinidos só para cortar a perfeição do silêncio. O silêncio era jocoso, e parecia querer lhe ferir. Começou a bambolear-se ao levantar, esbravejando os urros indecifráveis ainda, a garrafa chacoalhando na mão, e seu corpo tão dormente que poderia levar uma tacada na cabeça que ainda por cima riria. Jogava as coisas ao seu redor para todos os lados, sentia desejo de despejo, queria despejar tudo em tudo que alvo fosse. Sentia uma ira fora do normal, mas não se entendia. Via tudo em um borrão, não sabia se era lágrimas, não sabia se era o quente de seu corpo bêbado, não sabia se era de tanto rodar, não sabia. Finalmente depois de tanto se misturarem as sensações, os lugares e os sentimentos, apagara ainda com a garrafa na mão, com uma perna sobre o sofá e a cara enterrada no tapete. Estava só, e do jeito que tinha procedido, parece que realmente sempre estivera só.
Era cedo.
O frio da manhã era demasiado vil para passar despercebido com o corpo jogado à revelia, somente com uma calça jeans e nada mais. Com a cabeça ainda rodando e sua pele arrepiada e rígida, foi fechar a janela da varanda, onde as cortinas dançavam melancolicamente, trazendo à tona a memória que o whisky apagara momentaneamente. Sentiu o rosto vermelho de raiva outra vez, dessa vez não despejaria imensas doses de nicotina no pulmão, ou amargas doses de Jack no fígado. Fez um café tão forte que parecia estar tomando pó sem água, sentou-se na cadeira perto da escrivaninha, puxou pra perto a máquina de escrever e despejou palavras mudas em papéis que voavam de raiva. Era parte de sua terapia de auto-flagelamento. Por longas horas só se ouvia o tec-tec dos botões da máquina, e a cerâmica da xícara de café batendo na madeira toda vez que era posta após um gole. Entrava o combustível, saía a ira em forma de poesia. Cantava toda sua tristeza em versos e mais versos, em páginas e mais páginas, sabendo que ninguém jamais veria tudo que tivera dito, ou se importado com tudo que tivera sentido, mas seus versos cortantes tinham destinatário e onde quer que estivesse sentiria por telepatia toda sua mistura melancólica de tristeza, raiva e solidão.
Era tarde.
Não era necessariamente tarde de forma cronológica, mas era tão tarde para tantas outras coisas... Era tarde para que soubesse de um motivo para que seu dia tivesse terminado de começar ali na máquina de escrever, ou que esperasse uma centelha de preocupação ou afeto ou compreensão vindos do lado oposto o qual sua ira viajava, e era tão tarde pra que compreendesse tudo isso. Era tarde pra que se desse ao luxo de afogar-se em tristeza e dor e não tomasse nenhuma atitude perante a si, sendo injusto consigo permanecer nesse deplorável estado de coisas, enquanto o alvo de sua ira estaria, sabe-se lá, muito melhor. Era tarde pra lembrar-se de que sempre que se prometia algo, deveria cumprir e que não deveria cometer os mesmos erros, que não deveria ter as mesmas atitudes condescendentes... Era tarde pra se lembrar que já era tarde pra si. Era tarde pra tentar se agarrar em qualquer coisa que estava se despejando e escorrendo pra todos os lados de dentro de si, mas jamais esquecera de sorrir. Era muito tarde para todos os ''se'' dentro de todos os ''si''. Com efeito, a medida que ia ficando mais vazio, sorria mais, e tão subsequente à sua torrente de palavras jogadas ao léu já nem lembrava-se mais o que fazia incólume naquela cadeira velha.
Era certo.
Decidira-se por forçar-se a ficar bem, a qualquer custo, até o fim da semana. Com efeito, obrigava-se a sorrir, porque estava respirando e de olhos abertos, e isso era o tudo que tinha de fazer. E repetiria para si na semana seguinte, sentindo-se profundamente feliz de forma muito superficial. Seria a resposta fingir? Não, era apenas "ser profissional" no que se faz, e fazer bem o que se faz, quando sabia que nada faria. Faça o certo com um sorriso, ou não o faça.
É seu lema de vida.
I Musici.
De onde vem a inspiração para os grandes compositores?
Deles eu não sei, mas a minha vem de ti.
Tão forte quanto à dos grandes compositores de música clássica romântica.
Mas certamente mesmo os grandes compositores,
Não saberiam descrever com sons as minhas sensações,
Ao entrar em contato com minha fonte de inspiração.
Bach se amedrontaria diante a algo tão forte,
E de sua Toccata e Fuga, só restaria a última parte.
Beethoven não conseguiria fazer uma dedicatória à altura,
Deixe-o então somente com a dedicatória para Elise.
Handel em toda sua alegria para o mundo,
Não sabe o que é olhar em tão profundos olhos,
Tal como Grieg conseguiria retratar em sua manhã ,
A profusão dentro de mim ao encontrá-la,
Embora seja algo semelhante, começando singelamente quieto,
Depois irrompendo-se numa maré indefinida de alegria que corre para todos os lados.
Certa ansiedade se encontra em Holst, nos concertos dedicados à São Paulo,
Mas nada que compreenda minutos finais antes de eu te ver.
Nem com todo o alcance vocal de Pavarotti ou Andrea Bocceli,
Seria possível gritar tão quietamente como faço,
Que meu espírito se encontra tranquilo perto do teu.
E nem Gardel, por uma cabeça, ou duas, ou infinitas,
Arderia tanto num tango tão passional como eu no calor dos teus lábios,
Nem haveria eu de ver alguém com sorte tão semelhante a minha de te ter,
Algo que a Carmina Burana de Orff certamente se contorceria de inveja.
Jamais pudera alguém em pleno silêncio admirar tanta beleza,
E se surpreender por encontrar cada vez mais, a cada novo olhar,
Algo que nem Vivaldi foi capaz de contemplar em todas as suas quatro estações.
Algo tão intenso que não se compare com seu verão,
Algo tão sereno que não seja seu outono,
Algo tão completo que não fosse tão rápido quanto seu inverno,
E certamente um sorriso tão lindo que ofusque toda a beleza de sua primavera.
E é crescente, meu espanto pela tua singularidade,
Em cada curva uma nova admiração,
Coisas tão admiráveis que Strauss jamais vira em seu Danúbio azul.
É tão bom relaxar ao som de uma voz tão doce,
Que as óperas de Bizet sempre quiseram alcançar.
Não é algo compreensível nem para Mozart, o maior dentre os maiores,
Que nem em todas as suas sinfonias, cantatas, operetas, concertos e um requiem,
Nem com toda a sua genialidade,
Foi capaz de compreender,
A mesma sensação extasiante que é estar contigo,
A mesma que nem Ennio Morricone sequer chegou perto.
E tudo isso, no silêncio de uma fração de cada segundo quando estou contigo.
Deles eu não sei, mas a minha vem de ti.
Tão forte quanto à dos grandes compositores de música clássica romântica.
Mas certamente mesmo os grandes compositores,
Não saberiam descrever com sons as minhas sensações,
Ao entrar em contato com minha fonte de inspiração.
Bach se amedrontaria diante a algo tão forte,
E de sua Toccata e Fuga, só restaria a última parte.
Beethoven não conseguiria fazer uma dedicatória à altura,
Deixe-o então somente com a dedicatória para Elise.
Handel em toda sua alegria para o mundo,
Não sabe o que é olhar em tão profundos olhos,
Tal como Grieg conseguiria retratar em sua manhã ,
A profusão dentro de mim ao encontrá-la,
Embora seja algo semelhante, começando singelamente quieto,
Depois irrompendo-se numa maré indefinida de alegria que corre para todos os lados.
Certa ansiedade se encontra em Holst, nos concertos dedicados à São Paulo,
Mas nada que compreenda minutos finais antes de eu te ver.
Nem com todo o alcance vocal de Pavarotti ou Andrea Bocceli,
Seria possível gritar tão quietamente como faço,
Que meu espírito se encontra tranquilo perto do teu.
E nem Gardel, por uma cabeça, ou duas, ou infinitas,
Arderia tanto num tango tão passional como eu no calor dos teus lábios,
Nem haveria eu de ver alguém com sorte tão semelhante a minha de te ter,
Algo que a Carmina Burana de Orff certamente se contorceria de inveja.
Jamais pudera alguém em pleno silêncio admirar tanta beleza,
E se surpreender por encontrar cada vez mais, a cada novo olhar,
Algo que nem Vivaldi foi capaz de contemplar em todas as suas quatro estações.
Algo tão intenso que não se compare com seu verão,
Algo tão sereno que não seja seu outono,
Algo tão completo que não fosse tão rápido quanto seu inverno,
E certamente um sorriso tão lindo que ofusque toda a beleza de sua primavera.
E é crescente, meu espanto pela tua singularidade,
Em cada curva uma nova admiração,
Coisas tão admiráveis que Strauss jamais vira em seu Danúbio azul.
É tão bom relaxar ao som de uma voz tão doce,
Que as óperas de Bizet sempre quiseram alcançar.
Não é algo compreensível nem para Mozart, o maior dentre os maiores,
Que nem em todas as suas sinfonias, cantatas, operetas, concertos e um requiem,
Nem com toda a sua genialidade,
Foi capaz de compreender,
A mesma sensação extasiante que é estar contigo,
A mesma que nem Ennio Morricone sequer chegou perto.
E tudo isso, no silêncio de uma fração de cada segundo quando estou contigo.
Chuva e Retrato Pra Iaiá
Será que?
Essa era uma pergunta agoniante que o rondava durante dias.
Ele também vivia acompanhada da visão de um rosto,
Que vivia acompanhada de especulações,
Que vivia acompanhada de mistério,
Que vivia acompanhada também de certeza, mas isso depois de algum tempo.
Estava acertado, o encontro dos dois de um só num certo dia chuvoso.
E as dúvidas corriam o tempo.
O que fazer? O que vestir? O que dizer?
Enquanto isso, ele viajava até ela em pensamento.
O melhor preparo foi o despreparo.
Não, ele nunca irá entender isso.
Só que deu certo não saber o que ele estava fazendo,
Deu tão certo que nada foi tão difícil,
Nada provocou um nervoso muito forte.
E tudo, tudo foi tão desmedidamente medido de forma tão maravilhosa,
E tudo, se encaixou tão certamente,
Que um sorriso fora do lugar,
Uma palavra a mais ou a menos,
Teria desarrumado todo o conjunto de acontecimentos.
Os dois incertos que buscavam a verdade sobre suas incertezas,
Brincaram de campo minado o quanto deu,
Um viu o outro ao longe, e foram pulando por onde o solo era mais firme,
Em direções iguais,
O tempo corria enquanto eles andavam pra perto um do outro,
A noite avançava,
A chuva caía,
O cenário mudava.
Os dois então se encontraram,
E puseram fim à todos os "será que?" que estavam dentro de si,
Puseram fim ao furacão de ansiedade,
E fizeram o que o mundo inteiro já sabia que iam fazer,
Se encontraram,
Encontraram suas verdades e certezas,
Partilharam-nas, todas elas conhecidas por todos menos por eles,
Puseram fim ao caminho de um ao outro,
Com o calor dos corpos indóceis a se agitar,
Os mundos que giravam ao seu redor a se encontrar,
Os carinhos, os beijos,
A agitação precedida da calma,
Os olhares e os sorrisos,
A hora de confissão mútua,
E mais tudo que houvesse para eles.
O tempo rompeu-se, dobrou-se às suas vontades,
A chuva não caía, os pingos flutuavam no ar,
Dançando com o vento frio que os rodava e os envolvia.
O céu pálido com as nuvens indo para lá e para cá,
Entretanto as estrelas brilhavam mais do que nunca,
Refletidas em seu olhar,
Os mundos que os rodeavam, se foram e levaram todo o resto consigo,
Eram eles, e só eles.
Ele, a calma, a expressão tranquila e vitoriosa, o coração quente e feliz,
Ela, o sorriso constante, estrelas nos olhos,
Eles, a dança das mãos umas com as outras, o carinho no rosto,
A eterna, tenra e doce apreciação do melhor silêncio existente.
E por fim, dois incertos que olharam-se um ao outro repetindo: "Eu sabia."
Puseram fim à tantas dúvidas,
Puseram fim à tantas outras coisas,
Mas o mais importante, foi o início que deram
Ao que? Vai saber...
Que seja como Marcelo Camelo e Rodrigo Amarante um dia lhe ensinaram:
"Deixa ser como será,
Tudo posto em seu lugar,
Então tentar prever serviu pra me enganar."
Essa era uma pergunta agoniante que o rondava durante dias.
Ele também vivia acompanhada da visão de um rosto,
Que vivia acompanhada de especulações,
Que vivia acompanhada de mistério,
Que vivia acompanhada também de certeza, mas isso depois de algum tempo.
Estava acertado, o encontro dos dois de um só num certo dia chuvoso.
E as dúvidas corriam o tempo.
O que fazer? O que vestir? O que dizer?
Enquanto isso, ele viajava até ela em pensamento.
O melhor preparo foi o despreparo.
Não, ele nunca irá entender isso.
Só que deu certo não saber o que ele estava fazendo,
Deu tão certo que nada foi tão difícil,
Nada provocou um nervoso muito forte.
E tudo, tudo foi tão desmedidamente medido de forma tão maravilhosa,
E tudo, se encaixou tão certamente,
Que um sorriso fora do lugar,
Uma palavra a mais ou a menos,
Teria desarrumado todo o conjunto de acontecimentos.
Os dois incertos que buscavam a verdade sobre suas incertezas,
Brincaram de campo minado o quanto deu,
Um viu o outro ao longe, e foram pulando por onde o solo era mais firme,
Em direções iguais,
O tempo corria enquanto eles andavam pra perto um do outro,
A noite avançava,
A chuva caía,
O cenário mudava.
Os dois então se encontraram,
E puseram fim à todos os "será que?" que estavam dentro de si,
Puseram fim ao furacão de ansiedade,
E fizeram o que o mundo inteiro já sabia que iam fazer,
Se encontraram,
Encontraram suas verdades e certezas,
Partilharam-nas, todas elas conhecidas por todos menos por eles,
Puseram fim ao caminho de um ao outro,
Com o calor dos corpos indóceis a se agitar,
Os mundos que giravam ao seu redor a se encontrar,
Os carinhos, os beijos,
A agitação precedida da calma,
Os olhares e os sorrisos,
A hora de confissão mútua,
E mais tudo que houvesse para eles.
O tempo rompeu-se, dobrou-se às suas vontades,
A chuva não caía, os pingos flutuavam no ar,
Dançando com o vento frio que os rodava e os envolvia.
O céu pálido com as nuvens indo para lá e para cá,
Entretanto as estrelas brilhavam mais do que nunca,
Refletidas em seu olhar,
Os mundos que os rodeavam, se foram e levaram todo o resto consigo,
Eram eles, e só eles.
Ele, a calma, a expressão tranquila e vitoriosa, o coração quente e feliz,
Ela, o sorriso constante, estrelas nos olhos,
Eles, a dança das mãos umas com as outras, o carinho no rosto,
A eterna, tenra e doce apreciação do melhor silêncio existente.
E por fim, dois incertos que olharam-se um ao outro repetindo: "Eu sabia."
Puseram fim à tantas dúvidas,
Puseram fim à tantas outras coisas,
Mas o mais importante, foi o início que deram
Ao que? Vai saber...
Que seja como Marcelo Camelo e Rodrigo Amarante um dia lhe ensinaram:
"Deixa ser como será,
Tudo posto em seu lugar,
Então tentar prever serviu pra me enganar."
Ser Historiador.
Hoje.
Ontem.
Amanhã.
Qual é meu campo?
Qual é minha área?
Qual é a pergunta?
Ontem, é onde eu me sinto bem,
Hoje, já não sei tanto assim.
Amanhã, nem sei o que contém.
Ouvir, dizer,
Pensar, reclamar, contestar,
Agir, mudar?
Meu presente me espanta,
Me causa asco.
Me ligo ao passado pois hoje,
Sou fruto do ontem.
Porque então não mudar o presente?
Porque, o porque?
Embora saiba que o presente jamais volte a ser passado,
Porque não transformá-lo num lugar que eu possa me sentir tranquilo?
Em meio à tanto acontecimento,
Ao constante desbravamento da verdade,
Ao constante desbravamento da verdade,
Se retesar não é se resetar,
Comentar não é compartilhar,
E o hoje, me parece cada vez mais distante,
E o ontem, me vêm cada vez mais constante.
Como não se perder?
Para não se perder na pergunta é necessário responder.
E a certeza da resposta, de ondem vêm?
E a certeza do que é certeza, o que contém?
Ser historiador é ser,
É ter, é saber, é conhecer,
É se levantar quando mandam sentar,
É gritar quando te mandam se calar,
É contestar quando mandam aceitar.
É anarquia? Não, é análise.
É testar, é se testar, é retesar,
É se desenvolver.
O filósofo com seus conceitos,
O sociólogo com sua ciência social,
A antropologia com o homem,
O direito, com a lei,
A arte, com o belo,
E a História, com o que?
Com tudo, contudo com nada.
A maleabilidade de percorrer por todos os lugares,
A probabilidade de ser tudo o que é,
Ser tudo o que quiser,
A liberdade de ser e de pensar,
O embasamento geral pra pensar e agir,
O ser é questionar, o ser e o devir.
É conter todas as particularidades,
É geralmente, ser particular,
E particularmente, é ser geral.
É se entender, como parte de um todo,
E não como parte que dominará o todo.
É relação, é relacional.
Me entendo então, como um pequeno mundo de grandes probabilidades.
Hoje, fruto de um ontem,
A possibilidade de agir,
E construir meu amanhã,
Para que ele se torne um hoje tão tranquilo e envolvente,
Como o ontem.
O Veneno.
E só bastou uma gota,
De um amargo elixir,
Para ver o que não queria,
Para entender o que sentia,
E dar nome, à tudo que via.
Eu sinto o perigo.
Deitado, extasiado, sem crer,
Sinto meu sangue descer,
E junto o veneno levar,
Eu não queria, mas o sinto se espalhar.
Eu não queria, mas o sinto se espalhar.
Não que eu não possa me mover, entenda,
Vejo o cigarro acender, me esquenta,
E o café frio à me encarar,
E sob a luz do luar,
A lágrima escorrer.
Força, eu me digo.
Mas já é tão difícil continuar lutando contra...
Eu não quero ser engolfado pelo o efeito do veneno,
Mas haverá outro jeito?
Não sei...
Tudo que eu acreditava parece perecer,
Tudo que está ruindo sem se ver,
A voz já não sai,
A lágrima não cai,
A fumaça não vai...
A nossa música, já não se ouve mais.
O nosso amor se transformou em bom dia,
Tão distante, e eu preciso que saiba,
Que você aqui já não habita mais.
Triste, isso perceber,
O tolo insiste, em não entender,
O que você faz constante questão,
De esfregar na minha cara, de pisar no meu coração,
De socar a minha auto-estima,
De estar cansado e você não me anima,
De querer que você seja igual à mim.
Erro meu.
Erro seu.
Erro qual?
Erro de quem?
E o que será de nós, meu bem?
E o que será de mim, sem eu?
E o que será de ti, sem o teu?
Quem estará lá?
Desse quem o que será?
Com quem contarei?
À quem falarei?
Não sei...
E tenho medo de responder todas estas questões.
E o que será de nós, meu bem?
E o que será de mim, sem eu?
E o que será de ti, sem o teu?
Quem estará lá?
Desse quem o que será?
Com quem contarei?
À quem falarei?
Não sei...
E tenho medo de responder todas estas questões.
Vou continuar deitado,
É o melhor que faço
Espero seu abraço,
Apesar de saber que ele jamais chegará como antes.
Que o cigarro queime,
Que o café acabe,
Que eu nunca mais durma,
Pra não ver chegar,
O dia em que o veneno irá me dominar.
Autumn Tears
O vento vem leve,
A brisa vem em temperatura agradável.
É tempo de respirar,
Tempo de sentar,
Tragar o cigarro aceso e ouvir o crepitar quase inaudível.
É tempo de ouvir o silêncio,
É tempo de se ouvir.
Quadros pintados na velocidade da luz,
Congelam momentos,
Expressões, confusões, sensações.
A respiração é ofegante,
Suspiro e brisa se juntam e voam. E voam.
O calor do corpo,
Se esvai com o frio da brisa,
Que meu antigo calor chegue em quem precisa.
É tempo de descascar,
Trocar de pele,
Observar as congruências do novo momento,
É tempo de mudar de pensamento.
As árvores choram um pranto solene,
Folha por folha cai,
Para folha por folha crescer e viver novamente.
Para elas, é época de renovação.
E para nós, por que não?
A brisa vem em temperatura agradável.
É tempo de respirar,
Tempo de sentar,
Tragar o cigarro aceso e ouvir o crepitar quase inaudível.
É tempo de ouvir o silêncio,
É tempo de se ouvir.
Quadros pintados na velocidade da luz,
Congelam momentos,
Expressões, confusões, sensações.
A respiração é ofegante,
Suspiro e brisa se juntam e voam. E voam.
O calor do corpo,
Se esvai com o frio da brisa,
Que meu antigo calor chegue em quem precisa.
É tempo de descascar,
Trocar de pele,
Observar as congruências do novo momento,
É tempo de mudar de pensamento.
As árvores choram um pranto solene,
Folha por folha cai,
Para folha por folha crescer e viver novamente.
Para elas, é época de renovação.
E para nós, por que não?
Scarring Papers With Tears & Ink
Provavelmente meu objetivo não será cumprido.
Pode ser cumprido parcialmente, talvez.
É.
Acho que talvez metade sim.
Hoje sem rimas, sem risos, sem aquela indecência artística de um morto sonhador. Hoje só o ácido, só os cortes, só as vísceras... só o âmago.
O coração é uma coisa engraçada. Obviamente que de uma forma totalmente sádica. Ele sente gosto em mover nossas ações e rir dos resultados. Tento ser o máximo possível otimista em relação à isso tudo. Ele teima em guerrear contra a razão pra mostrar que estou errado, mas sou tão teimoso quanto ele e não vou deixá-lo vencer.
Certeza. Eu tinha, já não tinha tanto, não tenho, tenho. Tenho? Não sei... Não, não tenho. Melhor, tenho. Ou não?
Que importa? O sadismo desse filho da puta é tamanho que ele joga com tudo que tem dentro de mim, de um lado pro outro. Chega ao ponto onde o coração toma vida própria, com uma personalidade tão vil e sádica, que causa estranhamento. Como aquilo pode sair de dentro de mim?
Por que, depositar um rio de expectativas, num terreno totalmente árido, sabendo que de lá não sairá frutos, não sairá vida, não sairá nem sequer uma centelha de esperança? E sabendo disso tudo, continuar com a mesma atitude, vendo o filme se repetir diante dos meus olhos, apático, incapaz de mudar o que está acontecendo. Ou... sim? Ou eu também sou sádico? Ou sou ingênuo? Ou burro?
Que importa?
Sua aridez é fel, é navalha, e corta fundo. Suas palavras, tiros, sua indiferença, corrói como ácido até fazer agonizar. Faz do meu interior seu particular vai e vem, (in)conscientemente. Pra quê?
Por que o sorriso, o afago, depois o corte, depois o estrago? Por que plantar a semente e no mais breve germinar pisar em cima?
Porque está cansada de ser pisada? E quando procuro justamente oferecer ao contrário, sou pisado?
Já lhe ocorreu que também estou cansado de ser pisado? Não. Sua insensibilidade inocente não permite grandes reflexões. Seu mundo limitado de futilidade e ilusões te prendem nessa rede de contradições.
Justo eu, que critico tanto seu esteriótipo, me vejo sendo sugado por ele... Deprimente.
E quem sou eu para julgar? Aquele que você julgou, negou, e matou.
Se a esperança é o embrião, e você está constantemente pisando em cima dela, como acreditar no que pode brotar disso?
Ódio flui ao escrever das palavras. A caneta já rasga o papel, enquanto os lábios se contorcem, os dentes rangem, as lágrimas espirram, os suspiros machucam o pulmão bronzeado.
O isqueiro ruge de segundo em segundo. O que me tornei? Fui consumido pelos meus próprios erros, consumido pelos meus próprios desejos. Esmaeci em minhas convicções, me esvaneci junto com minhas certezas...
E pra quê? E por quê? E por quem? Por você ou por mim?
Pode ser cumprido parcialmente, talvez.
É.
Acho que talvez metade sim.
Hoje sem rimas, sem risos, sem aquela indecência artística de um morto sonhador. Hoje só o ácido, só os cortes, só as vísceras... só o âmago.
O coração é uma coisa engraçada. Obviamente que de uma forma totalmente sádica. Ele sente gosto em mover nossas ações e rir dos resultados. Tento ser o máximo possível otimista em relação à isso tudo. Ele teima em guerrear contra a razão pra mostrar que estou errado, mas sou tão teimoso quanto ele e não vou deixá-lo vencer.
Certeza. Eu tinha, já não tinha tanto, não tenho, tenho. Tenho? Não sei... Não, não tenho. Melhor, tenho. Ou não?
Que importa? O sadismo desse filho da puta é tamanho que ele joga com tudo que tem dentro de mim, de um lado pro outro. Chega ao ponto onde o coração toma vida própria, com uma personalidade tão vil e sádica, que causa estranhamento. Como aquilo pode sair de dentro de mim?
Por que, depositar um rio de expectativas, num terreno totalmente árido, sabendo que de lá não sairá frutos, não sairá vida, não sairá nem sequer uma centelha de esperança? E sabendo disso tudo, continuar com a mesma atitude, vendo o filme se repetir diante dos meus olhos, apático, incapaz de mudar o que está acontecendo. Ou... sim? Ou eu também sou sádico? Ou sou ingênuo? Ou burro?
Que importa?
Sua aridez é fel, é navalha, e corta fundo. Suas palavras, tiros, sua indiferença, corrói como ácido até fazer agonizar. Faz do meu interior seu particular vai e vem, (in)conscientemente. Pra quê?
Por que o sorriso, o afago, depois o corte, depois o estrago? Por que plantar a semente e no mais breve germinar pisar em cima?
Porque está cansada de ser pisada? E quando procuro justamente oferecer ao contrário, sou pisado?
Já lhe ocorreu que também estou cansado de ser pisado? Não. Sua insensibilidade inocente não permite grandes reflexões. Seu mundo limitado de futilidade e ilusões te prendem nessa rede de contradições.
Justo eu, que critico tanto seu esteriótipo, me vejo sendo sugado por ele... Deprimente.
E quem sou eu para julgar? Aquele que você julgou, negou, e matou.
Se a esperança é o embrião, e você está constantemente pisando em cima dela, como acreditar no que pode brotar disso?
Ódio flui ao escrever das palavras. A caneta já rasga o papel, enquanto os lábios se contorcem, os dentes rangem, as lágrimas espirram, os suspiros machucam o pulmão bronzeado.
O isqueiro ruge de segundo em segundo. O que me tornei? Fui consumido pelos meus próprios erros, consumido pelos meus próprios desejos. Esmaeci em minhas convicções, me esvaneci junto com minhas certezas...
E pra quê? E por quê? E por quem? Por você ou por mim?
Rage And Tears, Face Your Fears.
Aquela luz sempre brilhante,
Nem sempre é reconhecida,
Pelo eu inconstante,
Evolução regredida.
Mistura de essências,
Agressão às demências,
Raiva das reticências,
Revolta de indecências.
Ao punho cerrado,
A carne ferida e o osso exposto,
Do soco disparado,
O brilho no olhar de gosto.
Sensação queimante,
Gênio elucidante,
Sentimento inebriante,
Divagação alarmante.
As correntes do censo e a moral,
Amarram as ações,
O amarram em confusões e sensações,
Do imposto normal.
Decente,
Irreverente,
Apenas mais um,
Ser humano adjacente.
Raiva e gargalhadas,
Lágrimas de pó,
Palavras falhadas,
De uma garganta com um nó.
Raiva e gargalhadas,
Noite adentro e até bem cedo,
Das emoções chacoalhadas,
Enfrente o seu medo.
A Bad Day.
Mais um dia ruim,
que vai passar,
vai dar adeus à deuses soltos,
Mais um dia ruim,
Irá vagar,
E irá embora como todos os outros
Mais um dia ruim,
Onde não presto,
Mais um dia dos meus,
Irá embora como o resto,
E à esse dia, digo adeus.
E digo adeus,
À solidão,
Em braços teus,
Descansa meu coração.
E dizendo adeus,
Venha me abraçar,
E deixe em dedos teus,
Minhas lágrimas secar.
E do choro ouça os sons,
Anunciando a partida,
Dos dias ruins a ferida,
E a chegada dos bons.
E digo adeus,
Com tanto vigor,
Como sua boca diz,
Coisas boas sobre nosso amor.
E a culpa,
Essa vai descansar,
Como todos os dias ruins,
Que virão e vão passar.
Meu coração fica preocupado,
A solidão e tristeza,
Trazem sua frieza,
Mas somem quando estou ao teu lado.
Mais um dia ruim,
que vai passar,
vai dar adeus à deuses soltos,
Mais um dia ruim,
Irá vagar,
E irá embora como todos os outros
Mais um dia ruim,
Onde não presto,
Mais um dia dos meus,
Irá embora como o resto,
E à esse dia, digo adeus.
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