As Tardes Na Varanda.

Das tardes na varanda posso dizer,
Felicidade até em breves suspiros,
Jamais vou me esquecer,
Das palhetas e mãos, os giros.

Das tardes na varanda posso dizer,
Ansiosos e solitários corações,
Que se desencontram sem entender,
Dos versos em rima às canções.

Das tardes na varanda posso dizer,
Do tabaco à brasa,
Risos das caretas que vamos fazer,
Amor de irmão em meio a fumaça.

Das tardes na varanda posso dizer,
Que venham como vier,
Verás o meu aquiescer,
Toda vez que eu for pra São Francisco Xavier.

Das tardes na varanda posso dizer,
Alegria do mesmo assunto,
Cigarros trocados sem entender,
E o que importa é apenas estar junto.

Das tardes na varanda posso dizer,
Que dos sentimentos se instala o certo,
Esbanja o renascer,
Do coração que precisa estar perto.

Das tardes na varanda posso dizer,
O tempo segue o humor,
O vento a nos responder,
Se de tristeza falamos ou da alegria, a cor.

Das tardes na varanda posso dizer,
A demonstração do amigo amado,
A completude do ser,
Em pequenos momentos ao teu lado.

Mas de todas as coisas as coisas que posso dizer,
Sobre as tardes na varada, que só nós vamos entender,
Das canções, corações, emoções, confusões e vapor,
Ressalto a mais óbvia,
Pra você, todo o meu amor!
E tendo em mente que nenhuma cairá no esquecimento,
Pra você, por essas tardes, o meu eterno agradecimento.

Lágrimas e Chuva.

Que saudade da poesia métrica,
Ainda mais arranjada deste modo,
Palavras de origem tétrica,
Escorrem correndo logo.

Porque procurar a perfeição?
Ela não existe, já deveria ter me conformado,
Então porque a desolação,
Em descobrir que fui enganado?

E eu que sempre gostei de jogar,
Nunca achei que fosse perder,
Nesse jogo que não sei apostar,
Nesse jogo que não consigo entender.

Lágrimas e chuva,
Molham meu rosto e a janela,
Minha colcha monta a estufa,
E meu pensamento para nela.

A centelha de fogo nem teve oportunidade,
De mostrar o que é,
Porque a maldade,
Com alguém que te quer?

Acho que é o que tinha que ser,
As estradas da vida,
Separando com o acontecer,
O que resta, é a memória esquecida.

E peço que esqueça,
O carinho que foi dado,
E peço que permaneça,
Morta no passado.

Perdi A Minha Métrica.

Um lapso aconteceu.
Em dias perdi as palavras,
Em dias perdi os versos,
Em dias a rima se foi,
Em dias me despedi da minha métrica.

Mas... Pra que preciso de palavras?
Pra que preciso de versos?
Com um olhar eu entendi,
O que era pra ser dito, ou o que era pra ser feito.
E disse, e fiz.

Não há muito que se possa falar sobre,
Não há muito também que se possa pensar sobre,
Há, porém, a efêmera lembrança,
De recortes de momentos,
E então revivê-los em pequenas porções,
Um a um, assim como os detalhes.

Os olhos fechados,
A respiração,
Os corpos colados,
O toque no rosto,
O doce som da voz,
O abraço,
E tudo que me ocorre em flashes.

Conclusão: Os versos se foram,
Mas novos textos e novas formas anseiam,
Por uma escrita, por uma expressão.
Assim como eu, insensato inexperiente,
Proseador prático,
Anseio a repetição de tudo isso.

Ela me olhou, Vem.

Não sou do tipo que repara,
Eu sou do tipo que presta atenção.
O entendimento nem se compara,
Entre quem leu e leu de coração.

Eu esqueço o que passa pela cabeça da maioria,
Olho com sentimento,
De praxe, faço parte da minoria,
Acredito no momento.

O momento em que você vira seu rosto, e me olha desse jeito,
É o momento que meu coração grita: "Perfeito!"
O momento do sorriso sinceiro,
É o momento que te dou o abraço e digo, te quero.
O momento que você faz do meu tórax o encosto,
É o momento em que afago teu rosto,
Das atenções o enfoque,
O mais doce e gentil toque,
Será a chama que derrete o gélido coração?
Do anjo mais lindo ouvi a canção,
Os dizeres luxuriosos traduzidos pelo desejo,
A atração inevitável ao beijo.

And I'll Wait For You, With Or Without You.

Ele senta sozinho,
E sente o vento cortar o rosto na fria, fria manhã,
O vento faz voar seu cabelo, e o horizonte é o caminho,
Já não sabe mais se quer um amanhã.

Na verdade, ele quer chegar.
Ele quer tanto o amanhã iluminado,
Que no escuro cansa de vagar,
Ele quer o amanhã perfeito, ao teu lado.

Ao teu lado, Quem?
Ele promete, ele jura,
Corre, corre e procura,
Mas não acha ninguém.
Como ter certeza de que você está lá?
Ele não tem.

Então o problema bate à porta.
Como saber que ela existe?
Como encarar a verdade meio torta?
Ele procura não pensar em uma resolução triste.

Ele sonha com borrões,
Em crises de vertigem, ilusões,
Sonha com a descoberta de segredos ocultos,
Sonha no corre-corre dos vultos.

Ele não sabe quem é quem,
Só sabe que ela está lá esperando-o,
Mesmo com os vultos o vai e vem,
Então ele decide continuar procurando.

Mas sabe que não há verdade,
Em meio a tantos lençóis,
Conhece toda a dificuldade,
De chegar perto através dos seus caracóis.

Mas não tem mais medo, não.
O frio da manhã congelou também o seu coração,
Agora é só achar o calor da chama,
Gerado por nossos corpos em cima da cama.

Até lá, te espero,
Com ou sem você.