Há quem prefira momentos de epifania completa, e quem acredite na convergência de um cosmos ou algo transcendental que leve a um momento plenamente sublime. Eu não, prefiro acreditar na paixão pelos minuciosos detalhes.
É como prefiro explicar de forma simples um enorme esplendor que se faz presente na minha vida ultimamente. E toda beleza reside em pequenos detalhes que formam algo muito simples, porém dotado de um sentido tão vasto. Não, apesar de eu ser um poeta perdido nesse tempo duro e sem arte, não é difícil de entender o que aconteceu, não se embole no caminho das palavras, apenas sinta-os, como eu faço.
Vê, é nítida a singularidade do ser, mas determinados seres tem uma singularidade tão específica, tão distinta e amável, que provocam pequenas revoluções por onde passam. O que acontece, simplesmente, é que por destino ou não, aos meus vinte anos me deparo com uma singularidade revolucionária.
Por mais que eu tenha o natural movimento de poetizar as coisas e pessoas, vou tentar explicar segundo minha paixão por detalhes como é essa singularidade revolucionária. Minha ideia de singularidade revolucionária compreende tudo que for singular, dentro de uma só pessoa. Não é apenas uma pessoa diferente, mas é uma pessoa diferente de tudo e que todas essas diferenças tenham um maravilhoso sentido.
Essa singularidade revolucionária, é muito curiosa, e tem particularidades que são demasiadamente peculiares, que me causam espanto e imenso gosto, e aqui tentarei enfileirar algumas. Veja, antes de mais nada, é necessário compreender que eu não abuso do materialismo histórico-dialético e não me projeto nela, sendo assim, não procuro pontos em comum, embora pensemos de forma igual, mas de forma muito diferente.
Somos singulares em nosso cerne, e em nossa comunicação. Nos comunicamos por palavras singulares. Ela, revolução, conflito, e eu, equilíbrio, psiqué. Mas os detalhes que mais gosto, são os que observo repetidamente, como por exemplo(s), a forma de gesticulação para concluir um argumento, ou para compreender um terceiro. Uma teimosia de construção sócio-histórica, um sorriso jocoso, porém gracioso, ao lembrar que voltou a ser caloura. Só que possivelmente a que mais me comove é a singularidade de falar com os olhos... Essa, é inexplicável, logo, não consigo compreender como funciona, e eu, um cara de movimentos do cerne das coisas, fico só admirando. Os olhos por trás das lentes ora expressam frases por si só, ora corroboram argumentos, e de qualquer maneira, há mais mistérios dentro desse mel, do que me é inteligível.
Sim, é singular. Mas o que a torna revolucionária?
Pra mim, não é o sentido em si, mas a causa e o efeito. Deixe-me exemplificar com uma singela situação:
Uma viagem na hora do rush, se transforma num maravilhoso momento de abstração e numa feroz e intensa troca de ideias e palavras, ''mas quais são as palavras que nunca são ditas''? Transforma o desconforto de um ônibus lotado, o calor, o confinamento em si, num espaço gigante de solidão à dois. Consequentemente, o que levaria 415 horas, levou 415 segundos.
Como compreender? Não sei.
Há de se compreender? Acho que não dessa vez, se não rompe-se o misticismo.
De incertezas e incompreensões, a única certeza: Estou muito feliz por ter encontrado uma singularidade revolucionária, e que qualquer meio de transporte leve à qualquer lugar, contanto que estejamos ali.