O Livro.
Sempre tive grande curiosidade por grandes histórias.
Tenho gosto pelos pequenos detalhes,
Histórias minuciosas,
Em grandes mundos feitos de entalhes.
Encontramo-nos por acaso, eu e o livro,
Ele, sem saber que eu apreciava tanto seu conteúdo,
Eu, contudo, sem saber que sua leitura seria tão intensa,
Que aprenderia alguma coisa pro que vivo.
O início foi incendiário,
Queimava de ansiedade por entender a estória,
Um começo extraordinário,
Por ter encontrado o livro me sentia cheio de glória.
Ora, como não haveria de ser,
Minha leitura era rápida e voraz,
Se eu estava certo do que queria ler,
Como não querer ler mais?
O livro tinha cara de ser perfeito,
As páginas pareciam ter tanto pra se entender,
Porém em todo seu conteúdo sem defeito,
Havia algo que não queria ler.
Já no meio do conto,
O rumo do livro mudou,
Eu já não entendia do começo da frase até o ponto,
E do início, o que ficou?
Uma tristeza eminente,
A estória terminou
Envolvido na trama e contente,
Com coisa ainda pra ler, não posso dizer que acabou.
A estória terminou, mas o livro não,
O resto das palavras eu apenas leria,
De todo sentido o que entendi foi a confusão,
Jurei não esmorecer, que aquele livro eu terminaria.
Por quê?
Não sei... E quem há de entender?
Mas me diga de novo, porque há de haver um por quê?
Faça o certo com um sorriso, ou não o faça.
Era tarde.
Ouvia dentre todos os sons do silêncio, o estalar do isqueiro e o crepitar do tabaco em seguida. Despejou uma dose de whisky no copo sujo, olhou melhor e jogou o copo no chão, tomando direto do gargalo da garrafa quadrangular. Despejou ruídos, berros, gemidos e sons indefinidos só para cortar a perfeição do silêncio. O silêncio era jocoso, e parecia querer lhe ferir. Começou a bambolear-se ao levantar, esbravejando os urros indecifráveis ainda, a garrafa chacoalhando na mão, e seu corpo tão dormente que poderia levar uma tacada na cabeça que ainda por cima riria. Jogava as coisas ao seu redor para todos os lados, sentia desejo de despejo, queria despejar tudo em tudo que alvo fosse. Sentia uma ira fora do normal, mas não se entendia. Via tudo em um borrão, não sabia se era lágrimas, não sabia se era o quente de seu corpo bêbado, não sabia se era de tanto rodar, não sabia. Finalmente depois de tanto se misturarem as sensações, os lugares e os sentimentos, apagara ainda com a garrafa na mão, com uma perna sobre o sofá e a cara enterrada no tapete. Estava só, e do jeito que tinha procedido, parece que realmente sempre estivera só.
Era cedo.
O frio da manhã era demasiado vil para passar despercebido com o corpo jogado à revelia, somente com uma calça jeans e nada mais. Com a cabeça ainda rodando e sua pele arrepiada e rígida, foi fechar a janela da varanda, onde as cortinas dançavam melancolicamente, trazendo à tona a memória que o whisky apagara momentaneamente. Sentiu o rosto vermelho de raiva outra vez, dessa vez não despejaria imensas doses de nicotina no pulmão, ou amargas doses de Jack no fígado. Fez um café tão forte que parecia estar tomando pó sem água, sentou-se na cadeira perto da escrivaninha, puxou pra perto a máquina de escrever e despejou palavras mudas em papéis que voavam de raiva. Era parte de sua terapia de auto-flagelamento. Por longas horas só se ouvia o tec-tec dos botões da máquina, e a cerâmica da xícara de café batendo na madeira toda vez que era posta após um gole. Entrava o combustível, saía a ira em forma de poesia. Cantava toda sua tristeza em versos e mais versos, em páginas e mais páginas, sabendo que ninguém jamais veria tudo que tivera dito, ou se importado com tudo que tivera sentido, mas seus versos cortantes tinham destinatário e onde quer que estivesse sentiria por telepatia toda sua mistura melancólica de tristeza, raiva e solidão.
Era tarde.
Não era necessariamente tarde de forma cronológica, mas era tão tarde para tantas outras coisas... Era tarde para que soubesse de um motivo para que seu dia tivesse terminado de começar ali na máquina de escrever, ou que esperasse uma centelha de preocupação ou afeto ou compreensão vindos do lado oposto o qual sua ira viajava, e era tão tarde pra que compreendesse tudo isso. Era tarde pra que se desse ao luxo de afogar-se em tristeza e dor e não tomasse nenhuma atitude perante a si, sendo injusto consigo permanecer nesse deplorável estado de coisas, enquanto o alvo de sua ira estaria, sabe-se lá, muito melhor. Era tarde pra lembrar-se de que sempre que se prometia algo, deveria cumprir e que não deveria cometer os mesmos erros, que não deveria ter as mesmas atitudes condescendentes... Era tarde pra se lembrar que já era tarde pra si. Era tarde pra tentar se agarrar em qualquer coisa que estava se despejando e escorrendo pra todos os lados de dentro de si, mas jamais esquecera de sorrir. Era muito tarde para todos os ''se'' dentro de todos os ''si''. Com efeito, a medida que ia ficando mais vazio, sorria mais, e tão subsequente à sua torrente de palavras jogadas ao léu já nem lembrava-se mais o que fazia incólume naquela cadeira velha.
Era certo.
Decidira-se por forçar-se a ficar bem, a qualquer custo, até o fim da semana. Com efeito, obrigava-se a sorrir, porque estava respirando e de olhos abertos, e isso era o tudo que tinha de fazer. E repetiria para si na semana seguinte, sentindo-se profundamente feliz de forma muito superficial. Seria a resposta fingir? Não, era apenas "ser profissional" no que se faz, e fazer bem o que se faz, quando sabia que nada faria. Faça o certo com um sorriso, ou não o faça.
É seu lema de vida.
Ouvia dentre todos os sons do silêncio, o estalar do isqueiro e o crepitar do tabaco em seguida. Despejou uma dose de whisky no copo sujo, olhou melhor e jogou o copo no chão, tomando direto do gargalo da garrafa quadrangular. Despejou ruídos, berros, gemidos e sons indefinidos só para cortar a perfeição do silêncio. O silêncio era jocoso, e parecia querer lhe ferir. Começou a bambolear-se ao levantar, esbravejando os urros indecifráveis ainda, a garrafa chacoalhando na mão, e seu corpo tão dormente que poderia levar uma tacada na cabeça que ainda por cima riria. Jogava as coisas ao seu redor para todos os lados, sentia desejo de despejo, queria despejar tudo em tudo que alvo fosse. Sentia uma ira fora do normal, mas não se entendia. Via tudo em um borrão, não sabia se era lágrimas, não sabia se era o quente de seu corpo bêbado, não sabia se era de tanto rodar, não sabia. Finalmente depois de tanto se misturarem as sensações, os lugares e os sentimentos, apagara ainda com a garrafa na mão, com uma perna sobre o sofá e a cara enterrada no tapete. Estava só, e do jeito que tinha procedido, parece que realmente sempre estivera só.
Era cedo.
O frio da manhã era demasiado vil para passar despercebido com o corpo jogado à revelia, somente com uma calça jeans e nada mais. Com a cabeça ainda rodando e sua pele arrepiada e rígida, foi fechar a janela da varanda, onde as cortinas dançavam melancolicamente, trazendo à tona a memória que o whisky apagara momentaneamente. Sentiu o rosto vermelho de raiva outra vez, dessa vez não despejaria imensas doses de nicotina no pulmão, ou amargas doses de Jack no fígado. Fez um café tão forte que parecia estar tomando pó sem água, sentou-se na cadeira perto da escrivaninha, puxou pra perto a máquina de escrever e despejou palavras mudas em papéis que voavam de raiva. Era parte de sua terapia de auto-flagelamento. Por longas horas só se ouvia o tec-tec dos botões da máquina, e a cerâmica da xícara de café batendo na madeira toda vez que era posta após um gole. Entrava o combustível, saía a ira em forma de poesia. Cantava toda sua tristeza em versos e mais versos, em páginas e mais páginas, sabendo que ninguém jamais veria tudo que tivera dito, ou se importado com tudo que tivera sentido, mas seus versos cortantes tinham destinatário e onde quer que estivesse sentiria por telepatia toda sua mistura melancólica de tristeza, raiva e solidão.
Era tarde.
Não era necessariamente tarde de forma cronológica, mas era tão tarde para tantas outras coisas... Era tarde para que soubesse de um motivo para que seu dia tivesse terminado de começar ali na máquina de escrever, ou que esperasse uma centelha de preocupação ou afeto ou compreensão vindos do lado oposto o qual sua ira viajava, e era tão tarde pra que compreendesse tudo isso. Era tarde pra que se desse ao luxo de afogar-se em tristeza e dor e não tomasse nenhuma atitude perante a si, sendo injusto consigo permanecer nesse deplorável estado de coisas, enquanto o alvo de sua ira estaria, sabe-se lá, muito melhor. Era tarde pra lembrar-se de que sempre que se prometia algo, deveria cumprir e que não deveria cometer os mesmos erros, que não deveria ter as mesmas atitudes condescendentes... Era tarde pra se lembrar que já era tarde pra si. Era tarde pra tentar se agarrar em qualquer coisa que estava se despejando e escorrendo pra todos os lados de dentro de si, mas jamais esquecera de sorrir. Era muito tarde para todos os ''se'' dentro de todos os ''si''. Com efeito, a medida que ia ficando mais vazio, sorria mais, e tão subsequente à sua torrente de palavras jogadas ao léu já nem lembrava-se mais o que fazia incólume naquela cadeira velha.
Era certo.
Decidira-se por forçar-se a ficar bem, a qualquer custo, até o fim da semana. Com efeito, obrigava-se a sorrir, porque estava respirando e de olhos abertos, e isso era o tudo que tinha de fazer. E repetiria para si na semana seguinte, sentindo-se profundamente feliz de forma muito superficial. Seria a resposta fingir? Não, era apenas "ser profissional" no que se faz, e fazer bem o que se faz, quando sabia que nada faria. Faça o certo com um sorriso, ou não o faça.
É seu lema de vida.
I Musici.
De onde vem a inspiração para os grandes compositores?
Deles eu não sei, mas a minha vem de ti.
Tão forte quanto à dos grandes compositores de música clássica romântica.
Mas certamente mesmo os grandes compositores,
Não saberiam descrever com sons as minhas sensações,
Ao entrar em contato com minha fonte de inspiração.
Bach se amedrontaria diante a algo tão forte,
E de sua Toccata e Fuga, só restaria a última parte.
Beethoven não conseguiria fazer uma dedicatória à altura,
Deixe-o então somente com a dedicatória para Elise.
Handel em toda sua alegria para o mundo,
Não sabe o que é olhar em tão profundos olhos,
Tal como Grieg conseguiria retratar em sua manhã ,
A profusão dentro de mim ao encontrá-la,
Embora seja algo semelhante, começando singelamente quieto,
Depois irrompendo-se numa maré indefinida de alegria que corre para todos os lados.
Certa ansiedade se encontra em Holst, nos concertos dedicados à São Paulo,
Mas nada que compreenda minutos finais antes de eu te ver.
Nem com todo o alcance vocal de Pavarotti ou Andrea Bocceli,
Seria possível gritar tão quietamente como faço,
Que meu espírito se encontra tranquilo perto do teu.
E nem Gardel, por uma cabeça, ou duas, ou infinitas,
Arderia tanto num tango tão passional como eu no calor dos teus lábios,
Nem haveria eu de ver alguém com sorte tão semelhante a minha de te ter,
Algo que a Carmina Burana de Orff certamente se contorceria de inveja.
Jamais pudera alguém em pleno silêncio admirar tanta beleza,
E se surpreender por encontrar cada vez mais, a cada novo olhar,
Algo que nem Vivaldi foi capaz de contemplar em todas as suas quatro estações.
Algo tão intenso que não se compare com seu verão,
Algo tão sereno que não seja seu outono,
Algo tão completo que não fosse tão rápido quanto seu inverno,
E certamente um sorriso tão lindo que ofusque toda a beleza de sua primavera.
E é crescente, meu espanto pela tua singularidade,
Em cada curva uma nova admiração,
Coisas tão admiráveis que Strauss jamais vira em seu Danúbio azul.
É tão bom relaxar ao som de uma voz tão doce,
Que as óperas de Bizet sempre quiseram alcançar.
Não é algo compreensível nem para Mozart, o maior dentre os maiores,
Que nem em todas as suas sinfonias, cantatas, operetas, concertos e um requiem,
Nem com toda a sua genialidade,
Foi capaz de compreender,
A mesma sensação extasiante que é estar contigo,
A mesma que nem Ennio Morricone sequer chegou perto.
E tudo isso, no silêncio de uma fração de cada segundo quando estou contigo.
Deles eu não sei, mas a minha vem de ti.
Tão forte quanto à dos grandes compositores de música clássica romântica.
Mas certamente mesmo os grandes compositores,
Não saberiam descrever com sons as minhas sensações,
Ao entrar em contato com minha fonte de inspiração.
Bach se amedrontaria diante a algo tão forte,
E de sua Toccata e Fuga, só restaria a última parte.
Beethoven não conseguiria fazer uma dedicatória à altura,
Deixe-o então somente com a dedicatória para Elise.
Handel em toda sua alegria para o mundo,
Não sabe o que é olhar em tão profundos olhos,
Tal como Grieg conseguiria retratar em sua manhã ,
A profusão dentro de mim ao encontrá-la,
Embora seja algo semelhante, começando singelamente quieto,
Depois irrompendo-se numa maré indefinida de alegria que corre para todos os lados.
Certa ansiedade se encontra em Holst, nos concertos dedicados à São Paulo,
Mas nada que compreenda minutos finais antes de eu te ver.
Nem com todo o alcance vocal de Pavarotti ou Andrea Bocceli,
Seria possível gritar tão quietamente como faço,
Que meu espírito se encontra tranquilo perto do teu.
E nem Gardel, por uma cabeça, ou duas, ou infinitas,
Arderia tanto num tango tão passional como eu no calor dos teus lábios,
Nem haveria eu de ver alguém com sorte tão semelhante a minha de te ter,
Algo que a Carmina Burana de Orff certamente se contorceria de inveja.
Jamais pudera alguém em pleno silêncio admirar tanta beleza,
E se surpreender por encontrar cada vez mais, a cada novo olhar,
Algo que nem Vivaldi foi capaz de contemplar em todas as suas quatro estações.
Algo tão intenso que não se compare com seu verão,
Algo tão sereno que não seja seu outono,
Algo tão completo que não fosse tão rápido quanto seu inverno,
E certamente um sorriso tão lindo que ofusque toda a beleza de sua primavera.
E é crescente, meu espanto pela tua singularidade,
Em cada curva uma nova admiração,
Coisas tão admiráveis que Strauss jamais vira em seu Danúbio azul.
É tão bom relaxar ao som de uma voz tão doce,
Que as óperas de Bizet sempre quiseram alcançar.
Não é algo compreensível nem para Mozart, o maior dentre os maiores,
Que nem em todas as suas sinfonias, cantatas, operetas, concertos e um requiem,
Nem com toda a sua genialidade,
Foi capaz de compreender,
A mesma sensação extasiante que é estar contigo,
A mesma que nem Ennio Morricone sequer chegou perto.
E tudo isso, no silêncio de uma fração de cada segundo quando estou contigo.
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