Ela estava ali, numa mesa de bar, com seus olhos doces a me olhar, e eu a ela. Incrível como eu simplesmente abstraí todo o meu redor. Ali só havia ela, a sua voz mística, os seus olhos, e as espirais a voarem com o vento frio da noite. Ela falava, e eu também, mas os meus olhos vidrados nos dela, fazia pulsar o sangue quente, o coração galopante, o calor do desejo. Só havia eu e ela ali, logo eu conseguia captar todos os detalhes... Sim, os mesmos detalhes que a tornam tão singular, e que me atraem como as ondas do mar.
Seu jeito de gesticular, a famosa forma de falar com os olhos de mel, que intriga o mais sábio dos sábios, os óculos da cor dos cabelos, e estes tão livres e ardentes como o seu ser. O conflito, a desconstrução, a hesitação contínua quando vê um argumento próprio desconstruído. O rosto sereno, como se fosse desenhado, o sorriso tímido, uma risada afável, e uma voz... Uma voz singular. Me soa aos ouvidos como um gracejo provocativo, sendo uma voz forte de uma mulher, não de uma menina, que faz jus ao seu corpo sinuoso e escultural.
Há tanto nos detalhes... há tanto o que consigo ler em um só olhar. E como há.
Há algo de inexplicável em toda conversa. Aliás, se me permite mais licença poética, há uma fatal convergência de seres e saberes em todas as nossas conversas, pelo menos no que diz respeito ao meu sentimento sobre. Não são palavras jogadas ao relento, e nem uma fútil tentativa de juntos matarmos o senhor inexorável do Tempo. Não. Porém, é um evento tão singular, que até ele fica com medo e foge. Não o vemos passar.
Ao conversar com você, entro em conexão com algo inominável, porque vejo que a sua forma de pensar, agir, argumentar e ser, é igual à minha, mas oposta. Ora, como pode? Não sei. Apesar de toda a jocosidade, é inigualável sua determinação, sua idiossincrasia, seu orgulho feminino (do tipo nobre, não do tipo nazista), o punho que sobe na luta contra a opressão e a sua compreensão de mundo e compreensão do ser e do si. E eu, com essa psicologia imoral e bigoduda, minha abstração movimentista, meu sinuoso equilíbrio, tenho tudo nada a ver com isso. Talvez estejamos fazendo história num tipo de ''trialética''. Você com os dois lados de um conflito, e eu no meio com o tal do equilíbrio.
Há muito talvez, e pouco que eu consiga explicar, mas de toda abstração a certeza: Você me atrai com cada palavra, cada olhar e sorriso, cada vez mais pra perto de ti, e é para aí que eu quero chegar.
Abstração Forçada Espontaneamente.
Da teoria,
Poderia,
Haver mais abstração que o evidenciado.
Não que fosse de minha vontade,
Ou talvez devesse ser, só que não programada.
Apropriação e abstração.
As ações conscientemente involuntárias do seu e meu ser.
Você se apropriou do meu sono,
Reivindicou o espaço do nada pra você,
E dança nos meus pensamentos,
Em delírios, aventuras, dramas e romances.
Somos livres pra viver a poesia, eu e você,
Corremos por ela e damos a forma que nos convém.
Você se apropriou do meu desejo e do meu calor.
As minhas vontades convergem em você,
Assim como meus olhos ao te detectar no meu campo de visão.
E do meu calor, que descansa solene e tranquilo,
Com a tua iminente presença desperta em fúria e eloquência,
Transformando-se em derradeira atração.
Você espontaneamente me força à uma abstração,
Já que as palavras e as coisas retorcem-se em espirais vermelhas,
Já que o sono se transforma num encontro desconhecido,
Já que minhas teorias caem por terra, desconstruídas pela divagação até você,
Já que os sons se confundem, se perdem, e se transformam em sua voz,
Já que o fatalismo condicionado me delega a uma única certeza.
De que eu estou é gostando de tudo isso, ó insensatez.
Poderia,
Haver mais abstração que o evidenciado.
Não que fosse de minha vontade,
Ou talvez devesse ser, só que não programada.
Apropriação e abstração.
As ações conscientemente involuntárias do seu e meu ser.
Você se apropriou do meu sono,
Reivindicou o espaço do nada pra você,
E dança nos meus pensamentos,
Em delírios, aventuras, dramas e romances.
Somos livres pra viver a poesia, eu e você,
Corremos por ela e damos a forma que nos convém.
Você se apropriou do meu desejo e do meu calor.
As minhas vontades convergem em você,
Assim como meus olhos ao te detectar no meu campo de visão.
E do meu calor, que descansa solene e tranquilo,
Com a tua iminente presença desperta em fúria e eloquência,
Transformando-se em derradeira atração.
Você espontaneamente me força à uma abstração,
Já que as palavras e as coisas retorcem-se em espirais vermelhas,
Já que o sono se transforma num encontro desconhecido,
Já que minhas teorias caem por terra, desconstruídas pela divagação até você,
Já que os sons se confundem, se perdem, e se transformam em sua voz,
Já que o fatalismo condicionado me delega a uma única certeza.
De que eu estou é gostando de tudo isso, ó insensatez.
Extratos da Saudade II
I
Para matar as saudades,
Fui ver-te em ânsias corridas,
E eu que fui matar saudades,
Venho de saudades morrendo.
II
"Dizer adeus nada custa",
Alguém me mandou dizer,
Porém se nada custa,
Queira bem, é vós dizer.
III
Saudade é todo o passado,
Revivido no presente,
Vida que foi e não volta,
Chorando dentro da gente.
Iubélia de Souza, 31/07/1988
Para matar as saudades,
Fui ver-te em ânsias corridas,
E eu que fui matar saudades,
Venho de saudades morrendo.
II
"Dizer adeus nada custa",
Alguém me mandou dizer,
Porém se nada custa,
Queira bem, é vós dizer.
III
Saudade é todo o passado,
Revivido no presente,
Vida que foi e não volta,
Chorando dentro da gente.
Iubélia de Souza, 31/07/1988
Extratos da Saudade.
"Querido Papai,
Te escrevo, a minha mão treme. Você está vendo!? São muitos anos, você está longe! Acredito que em breve nos encontraremos.
Onde vive? Você não diz.
As lágrimas correm pelo meu rosto, orgulhosa, eu sempre serei de você.
Outrora seus braços me apertavam e eu sorria, unida a minha (nossa) família.
Vivemos com disciplina e orgulho, e todos os dias rezo por você, pedindo a Jesus para te dar luz, meu adorado Papai."
Eleonora Giglio, 86 anos de idade.
Te escrevo, a minha mão treme. Você está vendo!? São muitos anos, você está longe! Acredito que em breve nos encontraremos.
Onde vive? Você não diz.
As lágrimas correm pelo meu rosto, orgulhosa, eu sempre serei de você.
Outrora seus braços me apertavam e eu sorria, unida a minha (nossa) família.
Vivemos com disciplina e orgulho, e todos os dias rezo por você, pedindo a Jesus para te dar luz, meu adorado Papai."
Eleonora Giglio, 86 anos de idade.
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