É simples e complicado.
O devaneio de um desajustado.
No colorido me tranco,
Vendo em preto e branco.
Ponho a mão no bolso sem fundo,
Da jaqueta desbotada.
Não demoro um segundo,
Pra achar a chama enlatada.
E no bolso da calça, quem diria,
Pendurado na alça, eu sabia,
Da caixa tirei,
A morte em pequenas doses,
Que com vontade traguei.
O Whisky cai no chão,
Para que com o susto meu corpo salte,
Desesperado então,
Vendo escorrer o rio de puro malte.
Mas imóvel estava, imóvel fiquei,
Ninguém me encontrava, assim eu deitei,
O cigarro tragava e a fumaça joguei,
No delírio enevoado do descontrolado eu dancei.
E dançava, numa linda epopeia,
Não com meu corpo mas com minha ideia,
E o riso abafado tossia a fumaça,
Com o grito da sirene que passava pela praça.
Parcialmente inconsciente,
No meu último ato incipiente,
Mais uma pequena dose de morte eu peguei,
E minha pressa com ela não sei.
O isqueiro esqueci de fechar,
O joguei no chão com a chama a queimar.
Em cima do whisky ele caiu,
E chamas na janela o pedestre disse que viu.
Aproveitei e lá acendi o último pedaço de morte,
Tragava a fumaça junto com a minha sorte,
As chamas dançavam a dança do fim,
E então me engolfaram, fumando a vida pra fora de mim.
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