Sobre a Morte

O que é mais difícil de encarar quando se pensa na morte?

Hoje, em 22 anos, é o primeiro aniversário do meu avô em que estamos separados fisicamente. Ele não está mais no plano físico, mas quem sabe em qualquer outro plano eu o encontre um dia. O medo da morte nos faz projetar esse mundo num mundo de ideias, num mundo conceitual, onde por discurso conseguimos vencer nossas falhas e atingir a perfeição. Sim, nesse mundo, eu o encontrarei novamente.

E quando eu o encontrar, ele vai me receber com aquele sorriso de duas dentaduras removíveis, o corpo magro e uma barriga muito saliente. Vai gritar sua risada pra mim e abrir os braços, como sempre fazia quando eu chegava em sua casa e ele estava deitado no sofá assistindo futebol. Talvez ele abrevie palavas como "fio", "poa", "queo i emboa pa minha casa" e derivados, ou talvez fale em seu português carregado de sotaque italiano: "nõ", "limõn", "feijõn", "esta merrrrrda". 

Ele vai estar me esperando com um baralho na mão e um pacote de figurinhas na outra, para que eu possa colecionar um álbum inteiro e recortá-lo em seguida. Vou lhe fazer uma pizza, a qual aprendi a fazer com meu pai, e juntos comeremos uma boa margheritta  assistindo o primeiro volume de "Poderoso Chefão".

Vai andar devagar, arrastando o pé com duas unhas de madeira, seu dedo mindinho da mão esquerda torto e para sempre inconsertável, seus óculos multifocais ancorados num nariz grande como o coliseu, em direção a um abraço magro, característico, com sua careca na altura do meu peito, por ser um homem baixinho. Darei um beijo em sua careca cheia de pintinhas, com um cabelo recém-aparado, crescendo apenas nos lados e atrás. Ele terá tomado um banho (e não um meio-banho, como ele sempre queria, da cintura pra baixo, principalmente nos dias de frio), mas um ótimo banho e estaria perfumado aos montes com seu Kaiak azul. "Tá bicho bom, hein nonno" eu iria lhe dizer.

Ele me levaria de carro pra cima e para baixo, deixaria eu trocar a marcha no câmbio enquanto reclamaria de sua falta de sorte ao querer sair numa rua vazia que de repente inunda-se de carros vindos do chão,

Ele assistiria a RAI comigo, cantaríamos música italiana juntos, comeríamos muito a comida da nonna sentados na mesa da cozinha, levantando o vestido dela e dando um tapa sonoro em sua bunda enquanto ela passa. 

Mas por enquanto eu não posso fazer nada disso com ele de novo. 

O que é mais difícil de encarar quando se pensa na morte?

É que a morte é viva. A morte se vivifica e corporifica numa estrutura sólida chamada "ausência". E dói. A morte faz-se sentir através da não-existência. Ela é um lembrete constante do que não mais é e jamais voltará a sê-lo. A morte dói, porque enquanto ela não é o fim, ela vai matando.

Com um sofá vazio, com uma cama de casal que abriga uma viúva, com o silêncio frio da ausência de seu bom humor, com seus perfumes para sempre presos nos frascos, com as cartas embaralhadas, o filme pausado, a pizza fria e os talheres intactos, ninguém me esperando para me buscar no fim da ladeira do meu colégio e...

O carro no ponto morto.

A morte vive, e isso mata.

All we are is dust in the wind

Shattered little pieces of shit in shitty gathered bones,
The world spins even more fast at every turn,
Politics, relationships, hand-to-hand poison seats
In tongues and minds blastering in colours of hidden colored clouds,
Vanity sins in a sinful way
Hammering scenes in my head every day.
Stupid is who stupid does,
Selfish bastards fighting to survive
With red an black flags on their hands,
Their mouths full, their hearts empty,
All these moments will be lost like tears in the rain.
The sharpest blade spills blood with a rhyme
Than solemn vows of nothing scattered in time
And through the years all must be seen
The changing people with common interest in between.
If I should die before I wake,
Pray no one my soul to take.

Yelling shouts against themselves,
Belting, buckling, tightening up a inch or two,
Punching nothing, asking who
Banging heads in a seat of a bus,
Thus,
Tears are flowing
Mind control,
Burn the ashes,
Ripping gold,
Ups and downs the way goes,
A train ramming in tracks swallows the crowd,
The crowd fears,
The crowd cheers,
The crowd masturbates
The crowd contemplates
Intellectuoises tortoises in
Mundus imundos with fungus among us

The ruin of man it is yet to be see,
When all is equal and every one is one and all,
The space of doubt will prevail,
As the tracks of murder form the trail,
And will be shown to whom it may care,
That the one will live and not the all
In very long spaces or houses small
Wishing Aufklärung, Sie sind,
All we are is dust in the wind.