Chuva e Retrato Pra Iaiá

Será que?
Essa era uma pergunta agoniante que o rondava durante dias.
Ele também vivia acompanhada da visão de um rosto,
Que vivia acompanhada de especulações,
Que vivia acompanhada de mistério,
Que vivia acompanhada também de certeza, mas isso depois de algum tempo.

Estava acertado, o encontro dos dois de um só num certo dia chuvoso.
E as dúvidas corriam o tempo.
O que fazer? O que vestir? O que dizer?
Enquanto isso, ele viajava até ela em pensamento.

O melhor preparo foi o despreparo.
Não, ele nunca irá entender isso.
Só que deu certo não saber o que ele estava fazendo,
Deu tão certo que nada foi tão difícil,
Nada provocou um nervoso muito forte.
E tudo, tudo foi tão desmedidamente medido de forma tão maravilhosa,
E tudo, se encaixou tão certamente,
Que um sorriso fora do lugar,
Uma palavra a mais ou a menos,
Teria desarrumado todo o conjunto de acontecimentos.

Os dois incertos que buscavam a verdade sobre suas incertezas,
Brincaram de campo minado o quanto deu,
Um viu o outro ao longe, e foram pulando por onde o solo era mais firme,
Em direções iguais,
O tempo corria enquanto eles andavam pra perto um do outro,
A noite avançava,
A chuva caía,
O cenário mudava.

Os dois então se encontraram,
E puseram fim à todos os "será que?" que estavam dentro de si,
Puseram fim ao furacão de ansiedade,
E fizeram o que o mundo inteiro já sabia que iam fazer,
Se encontraram,
Encontraram suas verdades e certezas,
Partilharam-nas, todas elas conhecidas por todos menos por eles,
Puseram fim ao caminho de um ao outro,

Com o calor dos corpos indóceis a se agitar,
Os mundos que giravam ao seu redor a se encontrar,
Os carinhos, os beijos,
A agitação precedida da calma,
Os olhares e os sorrisos,
A hora de confissão mútua,
E mais tudo que houvesse para eles.

O tempo rompeu-se, dobrou-se às suas vontades,
A chuva não caía, os pingos flutuavam no ar,
Dançando com o vento frio que os rodava e os envolvia.
O céu pálido com as nuvens indo para lá e para cá,
Entretanto as estrelas brilhavam mais do que nunca,
Refletidas em seu olhar,
Os mundos que os rodeavam, se foram e levaram todo o resto consigo,
Eram eles, e só eles.
Ele, a calma, a expressão tranquila e vitoriosa, o coração quente e feliz,
Ela, o sorriso constante, estrelas nos olhos,
Eles, a dança das mãos umas com as outras, o carinho no rosto,
A eterna, tenra e doce apreciação do melhor silêncio existente.
E por fim, dois incertos que olharam-se um ao outro repetindo: "Eu sabia."

Puseram fim à tantas dúvidas,
Puseram fim à tantas outras coisas,
Mas o mais importante, foi o início que deram
Ao que? Vai saber...
Que seja como Marcelo Camelo e Rodrigo Amarante um dia lhe ensinaram:

"Deixa ser como será,
Tudo posto em seu lugar,
Então tentar prever serviu pra me enganar."