O Veneno.

E só bastou uma gota,
De um amargo elixir,
Para ver o que não queria,
Para entender o que sentia,
E dar nome, à tudo que via.

Eu sinto o perigo.

Deitado, extasiado, sem crer,
Sinto meu sangue descer,
E junto o veneno levar,
Eu não queria, mas o sinto se espalhar.

Não que eu não possa me mover, entenda,
Vejo o cigarro acender, me esquenta,
E o café frio à me encarar,
E sob a luz do luar,
A lágrima escorrer.

Força, eu me digo.
Mas já é tão difícil continuar lutando contra...
Eu não quero ser engolfado pelo o efeito do veneno,
Mas haverá outro jeito?

Não sei...
Tudo que eu acreditava parece perecer,
Tudo que está ruindo sem se ver,
A voz já não sai,
A lágrima não cai,
A fumaça não vai...

A nossa música, já não se ouve mais.
O nosso amor se transformou em bom dia,
Tão distante, e eu preciso que saiba,
Que você aqui já não habita mais.

Triste, isso perceber,
O tolo insiste, em não entender,
O que você faz constante questão,
De esfregar na minha cara, de pisar no meu coração,
De socar a minha auto-estima,
De estar cansado e você não me anima,
De querer que você seja igual à mim.

Erro meu.
Erro seu.
Erro qual?
Erro de quem?
E o que será de nós, meu bem?
E o que será de mim, sem eu?
E o que será de ti, sem o teu?
Quem estará lá?
Desse quem o que será?
Com quem contarei?
À quem falarei?

Não sei...
E tenho medo de responder todas estas questões.

Vou continuar deitado,
É o melhor que faço
Espero seu abraço,
Apesar de saber que ele jamais chegará como antes.

Que o cigarro queime,
Que o café acabe,
Que eu nunca mais durma,
Pra não ver chegar,
O dia em que o veneno irá me dominar.

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