Da teoria,
Poderia,
Haver mais abstração que o evidenciado.
Não que fosse de minha vontade,
Ou talvez devesse ser, só que não programada.
Apropriação e abstração.
As ações conscientemente involuntárias do seu e meu ser.
Você se apropriou do meu sono,
Reivindicou o espaço do nada pra você,
E dança nos meus pensamentos,
Em delírios, aventuras, dramas e romances.
Somos livres pra viver a poesia, eu e você,
Corremos por ela e damos a forma que nos convém.
Você se apropriou do meu desejo e do meu calor.
As minhas vontades convergem em você,
Assim como meus olhos ao te detectar no meu campo de visão.
E do meu calor, que descansa solene e tranquilo,
Com a tua iminente presença desperta em fúria e eloquência,
Transformando-se em derradeira atração.
Você espontaneamente me força à uma abstração,
Já que as palavras e as coisas retorcem-se em espirais vermelhas,
Já que o sono se transforma num encontro desconhecido,
Já que minhas teorias caem por terra, desconstruídas pela divagação até você,
Já que os sons se confundem, se perdem, e se transformam em sua voz,
Já que o fatalismo condicionado me delega a uma única certeza.
De que eu estou é gostando de tudo isso, ó insensatez.
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