É o êxtase, os jogos de luzes,
É a música alta,
Todas as risadas, os encontros e desencontros,
Os beijos,
Olhares perdidos,
Rodas eternas enquanto durarem,
A alegria captada em tempos de 4 por 4.
É a sensação de alucinógeno,
Mas como, se sóbrio e são,
Danço sozinho no mosaico sob meus pés?
É a droga da alegria,
Hoje tão obrigatória quanto rara de qualidade,
Todos brindam a vida,
Brindam ao prazer,
Que dura o tempo de uma festa.
O infinito marcado nas batidas da música,
Abraços,
Declarações,
Promessas de um novo mundo,
Promessas de amor, eterno amor,
E no fim da festa, todos se vão.
Não,
O problema não é a festa,
É o medo do fim da festa (ou da sensação de),
Onde o lugar fica vazio,
A bebida já acabou
O maço está vazio,
E cadê quem me acompanhou?
Se a festa pudesse ser infinita,
Se a música não parasse,
Se a bebida não acabasse,
E as pessoas não se fossem,
O tempo não passaria.
Se nem o texto eu consigo terminar,
Com o mesmo pensamento do início,
Como haveria de ser a festa,
A mesma de seu princípio?
Quisera eu,
Que a noite fosse perpétua,
Que as luzes psicodélicas não se apagassem,
Que a alucinação da felicidade jamais passasse,
Que todos que vieram, não se vão,
Que a droga da alegria jamais acabasse,
Que o fim da festa jamais chegasse.
Mas tolo sonhador,
O senhor do tempo não perdoa,
E leva tudo consigo.
Das festas, e companhias,
Nem a droga da alegria eu já tenho mais.
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