Cava sem direção precisa,
Em baixo dele não sabe o que há,
A pá desfere golpes na terra de forma indecisa.
Cava incessantemente não sabendo o que esperar,
Nos calos, depressões, planaltos e encostas,
Não saberia sua reação ao encontrar ,
Em baixo da terra, as respostas.
O cansaço o vence e ele não cava direito,
Não sabe ao certo,
Se foi cansaço ou a crescente angústia no peito,
Ou o medo do incerto.
Ele acelera o movimento,
Sente a respiração ofegante,
Não acha contento,
Na busca incessante.
Ele corre, cansado,
Passa correndo pelas sombras, que murmuram,
Ele foge, atormentado,
Enquanto seus medos se envultam.
Ele cai sob seus joelhos,
A mão nos ouvidos,
A lágrima espirra,
A voz emudece.
O cigarro apaga...
Ele se levanta, continua correndo,
Se frustra, para no mesmo lugar,
Se encanta, com a luz esbranquecendo,
E revelando o que ele estava a cavar.
A terra era molhada de lodo,
Os buracos, partes do todo,
O que cavava era na verdade seu corpo,
As respostas, no fundo da terra de seu coração.
A questão.
Queria revelá-las para si, ou deixaria tudo morto?
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