Cada vez fica mais claro para mim,
Que a caneta deve escrever de volta,
Não desdizendo o que foi dito,
Mas redizendo o que foi feito.
Menos setas apontadas,
Menos juízos de valor,
Mais adjetivos positivos,
Mais frases sobre o amor.
Não que esse mistério jamais resolvido me traga algum resultado,
Ante a face da tristeza,
O mistério muitas vezes é a alegria em si,
Tratar de amor, ou é ser feliz, ou é querer estar feliz.
Mas o tempo,
Esse senhor que nos quer impor sua vontade,
Inimigo dos amantes secretos,
Dos inseguros,
Hoje em dia, dos românticos perdidos no tempo.
E eu?
Escritor, pecador,
Condenado pela moral construída de forma histórico-social,
Sento no chão e vejo as pessoas passarem com tanta pressa,
Com tanto dissabor da vida,
Escravos de uma tela e um toque, e só depois
Escravos da sua própria dor.
Talvez o meu pecado original,
Seja não conhecer o limiar da libido e do amor.
Tantos se's, tantos não's,
Andar em linha reta sem fazer curvas pode te fazer chegar primeiro,
Mas o amor está nas curvas.
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