Ele se encolheu e fez força com o estômago, a garganta se comprimiu como se quisesse vomitar as cordas vocais, e doía, porque não saía nada. Sentiu o arder das lágrimas pesadas escorrerem como ácido pelo rosto, e atingirem como pedras de toneladas o travesseiro. Sentiu seus músculos se contorcerem, seus dedos se apertarem, seu ombro saltar com o peso do ar que era arrancado à golpes do seu peito, sua visão fora de foco que procurava uma direção mas só encontrava o vazio, e a furiosa sequência de filmes que corriam feito raposas assustadas pela sua cabeça. Cenas. Cenas que ele revivia intensamente naquele momento, com a esperança de expurgá-las pra fora do seu pensamento.
E se fazia perguntas, obviamente, caso contrário, como entenderia o sentido o que procurava? Mas eram perguntas repletas de respostas, problemas repletos de soluções. Eram mentiras repletas de verdades, era ignorância tão palpável que chegava a ser líquida. Ele ignorava o sentido de suas perguntas, ridicularizava seus problemas, e se cegava diante da verdade.
E as lágrimas jorram pelos seus olhos, agora com vontade, e dor, muita dor, em seu peito, em suas costas, em seu estômago, em todos os lugares que pudessem exprimir músculos dos mais insólitos. E sua visão fora de foco mira o horizonte morto do seu teto, sem conseguir enxergar nada com uma forma precisa, mas ele a vê. Vê sua mão se estender, escuta o canto da sereia, e estica o seu braço pra poder segurar a mão com firme certeza, mas no último segundo, a visão se apaga, e ele cai com força na cama, com seus músculos tão exaustos que pareciam ter feito mil horas ininterruptas de exercícios, sua garganta estava em brasas e doía só de mexer o pescoço, pois a força que fez pra vomitar o silêncio que se acumulava cada vez mais dentro de si o levou à contorções nunca dantes imaginas por ele mesmo, ele queria vomitar, cuspir, jogar pra fora de si aquele silêncio, aquele vazio, aquele vácuo, mas nada saía, e ele tentava incessantemente fazendo força numa esperança débil. Suas lágrimas jorravam como se tivesse ocorrido uma tsunami interna. De água não, mas de fatos, com certeza.
Quando deu-se por vencido, ou estava tão cansado pra se mover - não se lembra - olhou apaticamente o vazio do escuro do qual havia fugido, e ao qual retornou, ironicamente, sem conseguir piscar, e assim permaneceu até ele apagar de exaustão, completamente sem qualquer resquício de energia remanescente em seu organismo. Não se lembra se apagou com os olhos ainda abertos, nem o que restou de seus músculos.
Foi um sonho? Não. Passou por todos estes momentos com todos estes detalhes cheios de precisão, sem tirar nem por. Morreu? Não.
Acordou."
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